Dedo no gatilho

Capítulo 4 – Holofotes.

São Paulo, estrada em direção morro dos palhaços.

Agora.

Os cabelos de Bárbara esvoaçavam ao vento, enquanto o motor V8 de seis litros e setecentas, rugia na estrada e mostrava toda a potência dos seus trezentos e oitenta cavalos, a cinco mil e oitocentas rotações por minuto. O carro era rápido o suficiente para deixar os policias comendo poeira, deixando-a sempre com uma vantagem de praticamente um minuto, mas eles não desistiam, estavam em seu encalço e bárbara precisava fazer algo para despistá-los.

Bárbara pensa enquanto da fuga na polícia, lembra de como as vezes os seus dias são de bar em bar, álcool para alegrar, o gosto amargo para ajudar e o cheiro de cigarro que paira no ar, mas ela pensa “hoje não”.

O cheiro hoje é de sangue, o álcool entorpece meu amante no banco de trás, hoje não sou apenas mais uma garota na noite da cidade, minha mente insiste em não esquecer, e meus pés me carregam para onde devo ir, piso fundo no acelerador do impala.

Sem maquiagem, pois as lágrimas borraram tudo já, não esqueço de Mike caindo sem vida e sendo deixado para trás… Balanço a cabeça afim de mudar de pensamento, sinto o cheiro de Whisky impregnado na minha jaqueta, misturado com o sangue de Roger na minha camisa, Brian está com um pedaço de pano que arranquei dela, estancando a ferida, o tiro não acertou nenhum órgão vital pelo visto, mas se não for tratado por um médico em algumas horas vai morrer.

Mudo de estação na rádio, vou ouvindo o chiar do sintonizador, só estática em várias estações e agora não são mais guitarras e baterias fazendo o som ambiente do carro, deixo em uma estação que um homem anuncia de forma urgente;

– Repito, notícias urgentes e quentíssimas uma operação feita pela narcóticos na favela do menor, começa uma guerra no meio da cidade de São Paulo.

– Em outro ponto da cidade tenho notícias do que parece ser uma perseguição a um impala 67 preto com rodas cromadas o carro está em uma velocidade insana, é um piloto e tanto o motorista desse impala.

Bárbara gosta do comentário, lembra-se de como a vida era chata e tediosa antes de conhecer Mike e dá um sorriso dá lembrança, mas se dá conta do que significa esse anúncio na rádio.

– Porra, caralho Brian estamos no noticiário, bando de coxinhas filhos da puta. Gritou Bárbara entre dentes.

– Que azar do caralho, como não sabíamos dessa incursão no complexo do menor pela narcótico? – Brian questionou de uma forma cínica.

Bárbara não tinha parado para pensar nisso, tudo aconteceu tão rápido, era verdade como eles não sabiam, e lembrará que Mike dissera dias antes quando montava o plano de ataque, que um dia antes da invasão, seria o dia do pagamento do “arrego”, e ela se lembrou que só havia mencionado isso ao seu amante Brian, que estava sangrando no banco de trás. A ficha caiu, um suor frio passou por seu corpo e ela disse.

– Fomos traídos. Assustada, colocou a mão no porta luvas para pegar a Glock que sempre ficava ali, mas fora interrompida por um barulho abafado de um disparo de AK Colt com silenciador nas suas costas.

 

 

 

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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