Dedo no gatilho

Capítulo 7 – Dizem como devo agir.

Em outubro de 1993, nasceu um menino iluminado, talvez fosse no país errado, chamado Edmilson no morro das pedras, que futuramente passaria ter o nome de favela do menor, conforme o apelido desse menino.

Ele tinha um futuro promissor no negócio do irmão. Foi gerado enquanto sua mãe via a liberdade indo embora junto com seu amor, e nasceu desabrigado se não fosse aquele coberto.

Sua mãe ainda embriagada pelas sensações do parto lhe disse como últimas palavras:

– Faça do sofrimento seu punhal para toda a dor.

Cresceu e antes das primeiras letras, já sabia montar um fuzil, madrugava nas caçadas coberto por trapos velhos, era a única maneira que encontrou para não morrer de frio.

Nasceu com o instinto para ser um homem vil, e assim que completou idade não tinha mais volta, pois o crime descobriu. Mas levava palavras de luta para seu irmão mais velho, pois era a voz dos que tem voz, e há muito tempo, se calaram sem coragem pra dizer algo.

Mas parece que quando pobre começa pensar, incomoda alguém e então as viaturas chegaram bem de frente de seu portão, e logo anunciaram:

– Homem fortemente armado com palavras de alto calibre, que podem abalar as estruturas sociais.

E então uma bala “perdida” com endereço gravado acertou seu irmão que ainda caído antes de perde a consciência gritou:

– Até quando eu vou olhar pro céu rifado de balas, e ver uns com muito e outros com tão nada ? Foi para essa guerra que eu guardei as minhas armas;

A consciência, o pensamento e a livre expressão !

– Porque um país assim é que eu não quero para os meus filhos não… Pá Pá Pá, o menino viu a Injustiça como todos os dias há nesse lugar, mais um homem foi silenciado, por não aceitar calado;

impunidade, Hipocrisia e abuso de poder.

Alguns anos depois.

São Paulo, Favela do menor

Agora.

Ainda um pouco tonto pela bomba que o policial jogou dentro da casa, menor não para de socar o comandante e continua dando suas porradas uma atrás da outra, o comandante se defende, da maioria. E usa um golpe de defesa pessoal para tirar o sujeito de cima de si, o segredo é usar o corpo e a força do oponente contra ele, como dizem a diferença de veneno para antídoto está na dosagem.

Mas o menor é um homem forte, e consegue se desvencilhar do golpe. Ambos se levantam agora a luta é em pé, o comandante vê o sujeito olhar para a arma que está logo atrás de si, ele a quer, mas não vai ter a chance de pegar.

– Se rende, que poupo sua vida seu filho da puta desgraçado e você ficara enjaulado até o fim dela. – Disse o comandante em fúria, sem acreditar nas suas próprias palavras e avançando para golpear o menor.

– Menor gargalhou, não vou me render nós dois sabemos disso.

– Vou matar você e colocar sua cabeça numa estaca para todos filmarem e entenderem que no morro do menor, ninguém invade. – E o Edmilson gargalhou novamente.

As câmeras filmavam tudo, era transmitido ao mundo um policial e um traficante lutando furiosamente.

Eram socos, chutes, diretos, joelhadas, jebs, jebs e diretos, alternando entre os golpes, cada jeb desferido para machucar, cansar e tirar a visão do oponente para o direto vim e derruba-lo e ambos iam se machucando se de gladiando, o ódio dos dois imperava naquela madrugada ao som de tiros pela favela.

Era uma luta impressionante, nenhum dos dois era pugilista e o sangue escorria dos rostos já inchados de tanta pancada, mas o policial era treinado e começou usar suas técnicas que aprendera na academia de policia, quando o menor viu que não teria mais chance, correu para pegar a metralhadora que estava no chão, o comandante deu um rodo no cara, que ele subiu aos céus voltando na direção contraria e batendo com a nuca no chão, o mundo ali se tornou uma confusão, sua cabeça estava girando como um pião.

Menor ficou estatelado e tonto no chão, o comandante aproveitou e montou em seu tronco e começou a soca-lo na face, uma, duas e na terceira vez eles ouviram um estalo, o nariz do Edmilson quebrou, mas a dor não era o maior problema do traficante naquele momento.

Deu para ouvir os ossos dos seus dedos trincarem, ele batia com tanta força na cara do traficante que já não se via nada além de sangue, inchaço e hematomas, mas ele continuou batendo, com os holofotes todos sobre ele, naquela noite um policial amassava o menor ao vivo para o mundo todo, as pessoas de suas casas vibravam a cada soco, a cada espiro de sangue que subia no ar, quando o comandante se levantou a sua fúria estava maior, a violência gera violência, o mau corrói o bem e naquele instante ele era outra pessoa.

Para Edmilson o pior de tudo era os olhos, aquele olhar que denunciava o demônio que o policial estava soltando sobre ele.

O homem acabara de ver seu amigo e parceiro ser esbugalhados por um tiro na cara, o sangue do amigo ainda se encontrava na sua farda. E na sua cabeça ficava se questionando porque aquele verme, homem vil ia sobreviver e ficar preso ? sendo que seu amigo um homem que lutou, amou, viveu, discutiu, ganhou, perdeu, chorou, zoou, foi zoado, estudou, trabalhou, ajudou, foi ajudado, lutou, lutou e lutou de novo, foi um homem como poucos, uma das poucas pessoas que nunca fez e nunca faria mal a ninguém de bem, ele se foi hoje de uma maneira tão cruel, depois de muito lutar.

– Mas sua missão de espalhar amor e sorrisos foi completa de maneira impecável. Disse um comandante arrasado, para si mesmo.

– Você foi um cara completo, agora, nós que ficamos incompletos sem você aqui. Disse um policial emocionado, se levantando.

Com lágrimas nos olhos, o comandante foi em direção a metralhadora, pegou as na mão ensanguentadas e trêmulas de ódio, checou o pente, destravou a arma, apontou para o menor, olhou em direção ao parceiro e amigo caído e disse;

– Te amo cara. – seu dedo puxou o gatilho, e com uma rajada o comandante descarregou a metralhadora vingando seu parceiro e amigo.

Porem os direitos humanos não iam perdoar um policial que matou um traficante sem “motivo” e Carlos Almeida o comandante da narcóticos seria preso, pois provas contra ele é o que não faltaria, estava tudo filmado.

Mas sua consciência estava limpa, sua missão foi completa e o morro do menor naquele dia caiu, os palhaços que estavam lá todos foram mortos e os milicianos também, a operação três coelhos fora um sucesso.

– A não ser pelos dois fugitivos.- pensou o comandante.

 

 

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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