Textos

A crise dos quase trinta anos

A nossa vida é dividida em ciclos. O foco aqui é aqueles estabelecidos pela sociedade. De acordo com a nossa sociedade, aos sete anos devemos começar a aprender a ler e escrever. No início da adolescência é esperado que se dê o primeiro beijo (pelo menos essa é a modinha, fugiu disso você é uma aberração encalhada). Se com dezesseis anos você ainda for virgem, pelo amor de Deus, se mata. Com dezessete anos você tem em média nove meses para se acabar de tanto estudar para passar no Enem e em pelo menos cinco vestibulares. No ano seguinte ou você inicia a faculdade ou começa a trabalhar (o ideal era ter começado a trabalhar com dezesseis, mas vamos em frente). Lá pelos vinte e dois ou vinte e três, acho bom você ter terminado essa faculdade e já estar trabalhando em um emprego com carreira. E aí chega o ciclo tão temido, pelo menos pelas mulheres: o período entre vinte e cinco e trinta anos.

Se você tem uma conta no Facebook e outras redes sociais e uma quantidade razoável de amigos mais ou menos da sua idade, toda semana surge alguém que vai se casar e/ou ter filhos. Nesse momento você lembra que não tem nem um paquera em vista. Você mora com a mãe. Ah! Você está desempregada. E como milho no óleo quente, vai pipocando grávidas, bebê, casamentos, bebês, casais de sucesso, bebês. Parece uma contagem regressiva: em cinco anos você estará oficialmente para titia (o que aqui entre nós não é de todo o mal: paparicar um bebê, mimá-lo bastante e depois devolvê-lo para os pais? Que mundo maravilhoso é esse?).

Mas essa contagem não precisa ser a sua. Todo mundo está casando? Aproveita que você ainda não encontrou aquela pessoa (se é que pretende encontrar) para paquerar bastante. Olhar o mundo em volta e deixá-lo te olhar. Ainda não tem emprego? Aproveite para fazer os mais diversos cursos (de graça, afinal dinheiro não nasce em árvore). Você ainda não teve um bebê? Torne-se voluntário em um abrigo ou hospital e dê atenção, amor e carinho para alguém que precisa muito. Não está nem aí para nada disso? Ótimo! Invente o que você quiser. Não ocupe um tempo precioso da sua vida pensando em convenções. Viva a vida em toda a sua plenitude e pelas suas regras (mas sem invadir a liberdade do outro, isso é muito importante).

As coisas acontecem quando tem que acontecer. Se divirta até lá.

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Sou atriz e professora de inglês paulistana, nascida em 1991 no Dia de Reis. Sempre adorei escrever e imaginar coisas. Amava fazer redações na escola. Com o tempo, o amadurecimento e essa complicada vida de gente adulta, fui deixando de escrever. Me limitei a posts de Facebook e tweets. Porém as histórias se acumulavam na minha cabeça. O blog foi uma forma de exteriorizar todos esses pensamentos e reflexões, sejam eles bons ou ruins. Gosto de escrever sobre como eu lido com a vida e o quanto ela é complicada. Espero que os meus textos e poemas ajudem pessoas que passam pelos mesmos problemas que eu. Blog pessoal: https://somaiscincominutinhosblog.wordpress.com/

1 comentário em “A crise dos quase trinta anos

  1. mathiaslucia

    Ótima frase: “Invente o que você quiser.” … deve ser levada para além dos trinta. Essa é pra vida!

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