O trânsito segue caótico, a inflação continua a subir, o dinheiro só dura enquanto é novidade, os boletos aumentam na gaveta e a faculdade continua lá. Os amantes se desencontram, tropeçamos em quem só nos decepciona e o chefe não larga mão de ser irritante.

Mas, o café continua quente e forte, a cerveja gelada, a roda de amigos sempre está eufórica e olhares ainda se cruzam e se reconhecem  na multidão que anda acelerada.

Em meio ao caos nasce flor, renasce o amor e a lua continua se pondo para o sol brilhar. Em meio a sociedade estressada existem amigos para dividir risadas em uma mesa de bar.

Em volta a tantas reclamações, antes de dormir ainda agradecemos, pois para tudo e todos existem válvulas de escape, aliviando a pressão e abrindo espaço para novas emoções.

Somos mutáveis, hora choro, hora riso. Não se permita ser monocromático, seja explosão de cores, sabores, amores. Viaje, frequente os bares da cidade, cante no chuveiro, no carro, na chuva, dance, sapateie, se permita viver e não só reclamar.

Ficar de saco cheio todos os dias é desgastante.

Ative sua válvula de escape, pois é em meio ao caos que renascemos e com abraços e tropeços sobrevivemos.

Seja sua própria doença e sua própria cura, seja seu próprio psicólogo e seu próprio humorista. Seja pranto e sorriso. Seja reclamações e agradecimentos. Seja início e fim. Mas, sobretudo seja meio.

Cecília Santiago

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