Resenhando

Chifre não é asa!

Em se tratando de músicas sertanejas e alguns forrós da vida, podemos dizer que: A grande maioria das letras tem o tema básico: DOR DE CORNO, mas fala sério… tem coisa mais reconfortante que saber que não é só você que sofre por um amor não correspondido? Na hora da sofrência, essas músicas são utilidade pública… kkk

Ouso em dizer que o assunto é meio batido, a batida hora chorosa, hora agitada, as acusações e cobranças sobre a infidelidade, a referência à dor no peito que mostra ao mundo a gravidade da situação. Infelizmente, cai-se no mais-do-mesmo quase sempre… o bom é que existe o “quase”.

Esses dias, ouvi uma música da Thayná Bitencourt/ Part. Mano Walter: “Chifre não é asa”. Essa música me chamou a atenção, pela batida que é envolvente e leva a pessoa a querer dançar, mesmo sem saber ou curtir muito a batida… num segundo momento, o interessante é a letra.

O enredo da música se dá nos conselhos de uma pessoa que superou uma traição para outra que ameaça se matar por não conseguir lidar com a situação. E ressalta:

 Não custa nada lembrar: Chifre não é asa!

O que é mais interessante, é que a música é engraçada. Na tratativa de assuntos tão pesados quanto Depressão e Suicídio. O autor da música está de parabéns! Poucas vezes vi a temática ser trabalhada de maneira tão incisiva e cativante ao mesmo tempo. O arranjo ajudou e a participação do Mano Walter, deu um brilho especial à música… # esperando o próximo arrasta pé em família!

Deixando de lado a questão técnica, criatividade e sonoridade, as temáticas depressão e suicídio, merecem ser observadas. Fato é que, através da música podemos observar várias mudanças sociais que interferem e passam a fazer parte do cotidiano, como a ascensão social, mudança dos valores, crise econômica etc. Esse é o caso do suicídio e da depressão.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, em sua pesquisa divulgada em 2014, o Brasil é o 8º país no mundo, com mais casos de suicídio. As causas principais são: Depressão, estresse, abuso de álcool e problemas socioeconômicos. Fato é que, a galera não tá aguentando a bronca e pouco se fala nisso.

Somos uma sociedade cada vez mais conectada e tecnológica, mas que está cada vez mais insensível às necessidades do outro. É como se, de uma forma coletiva, os corações estivessem anestesiados e a cada vez mais blindados, ao outro. O medo das decepções e traições, tem feito as pessoas cada vez menos suscetíveis às palavras: amizade, amor e caridade.

O interessante é que muito se fala em amor hoje em dia, no entanto, pouco se sente ou pratica… é o que os crentes falam: “o amor está se esfriando”.

Consequência desse esfriamento é a facilidade de se descartar as pessoas e ao mesmo tempo, a facilidade em como as pessoas tem em fazer de seus cônjuges, companheiros ou afins, de seu mundo particular. Justamente pela falta de se ter em quem confiar, compartilhar a vida. Por isso, é cada vez mais comum se ter notícia de crimes passionais, pessoas deprimindo e se suicidando… tudo pela falta de amor. Falta de maturidade emocional e excesso de blindagens contra o outro.

Tem-se dificuldade de chorar a “dor de corno” e a saída se torna resolver tudo de maneira instantânea, não se sabe esperar os tempos melhores virem. Não se sabe construir seu mundo particular, não se sabe mais ser feliz sozinho… daí se tem o que vemos, a depressão pós chifre crônicas e os casos de suicídio se tornando uma rotina tão evidente que até as músicas mais populares estão cantando.

Nesse contexto, só temos uma forma de evitarmos esse tipo de loucura irracional em nossas vidas: amadurecendo emocionalmente.

Precisamos aprender que as decepções e os medos, as traições e as incertezas fazem parte da existência humana. Podemos ser menos ingênuos, mas nunca imunes. Ser imune significa se desumanizar, deixar de viver, deixar de apreciar momentos maravilhosos por causa do medo de se ferir… medo idiota, todos se ferem e essa não é a questão, a questão é: o que fazer depois da ferida aberta?

Se matar?… na boa, prefiro ouvir Pablo e chorar no meu travesseiro amigo.

Prefiro sofrer um tempo e me levantar para viver melhor depois, porque os tempos bons se intercalam como os tempos maus…

isso é maturidade emocional: saber que o mundo não é o que eu idealizo e mesmo assim, posso viver o melhor dele.

Então companheiro/a, tenho um conselho pra você: seja o amigo conselheiro… se você foi traído ou se decepcionou, chore suas dores, ouça sua sofrência, engorda comendo sorvete e vendo filme triste, mas se levanta e vai trabalhar, estudar, viver, porque a dor passa e tempos melhores sempre vem.

Superar as decepções da vida, podem ser consideradas uma atitude de utilidade pública, afinal, pessoas maduras emocionalmente podem se tornar boas conselheiras…

Viva e se supere para ser o/a amiga que vai poder lembrar aos mais desesperados que:

Chifre não é asa!

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A grande beleza de ser humano é ter a liberdade de mudar.... Pois bem, continuo mudando e melhorando Sou apaixonada por pessoas Sou apaixonada pela vida E quero viver sempre o melhor dela... ah! Descobri que gosto muito de dinheiro e do que ele pode me proporcionar... e isso não é pecado.

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