O zesto d’alma de um solitário.
O resto completo da alma de alguém que anda só.
Cultivado no períbolo do corpo e d’alma.
A teimosia corre pelos livres campos enverdejados, tal qual um garrano puro e sem pudor. Não se pode ir contra a própria virtude. Ó virtude magnifica da alma podre do homem. Antes estar só, do que estar só sem ter um antes.

Andar só torna-se um dom de si mesmo. Os objetos inânimes se tornam uma amizade contínua e silente. Cada pedra e cada escombro corta-se em uma mancha rubra, um fino filete vermelho. É cinza ver o mundo com olhos dos quais apenas um único individuo consegue ver.

Sampear tão longe a dor que só os versos conseguem segurar.
O sentimento pérvio para aquilo que se foi, se foi e não mais voltará. A ilha é perene, é perene ao chão, ao céu, as estrelas inúteis, suas distâncias tão longe, tão longe quanto sempre foram.

Tão longe que a dor se torna impossível.

A dor e a dor e a dor.

São cinzas.

Queimaremos o mundo para sermos reis das cinzas.
Já disse um poeta um dia.
No profundo da noite, a osfresia daquele que mal pode enxergar, tal qual puro é o cheiro ambíguo, o cheiro daquela dor que não passa.
Porém anda feliz, o homem que não tem ninguém para ti, anda com sorriso, um sorriso que dá a si mesmo, ainda sim tão falso, tão enganador. Ele gostaria muito de saber misturar-se a massa, saber ser tão ignóbil que ele mesmo se sentiria tão uno a massa. Porém quando ele vê os sorrisos tortos daqueles que ele mesmo julga ignorantes, ao ver que são tão felizes mesmo sem um motivo, mesmo soterrados até o pescoço na mais suja sujeira. O renuído lento e duro, o abatimento que vem aos olhos, ele não consegue, ele não faz parte.

Nunca fizera parte.

Nunca fora parte.

Nunca será parte.

O mundo arde na madrugada de seu quarto.

Aquela cama que nunca vira outro alguém além do seu próprio corpo. Aquele lugar que conhece tanto de si mesmo que poderia autobiografar-se inapropriadamente. Itera-se na batida da solitária máquina, Itera-se no passar das páginas dos solitários livros.

A música que é só sua e só ele consegue entender.

Música daqueles que estão mortos há tanto tempo, que só a memória consegue lembrar.
Poetas que atossicam sua mente, dão-lhe a ideia de dependurar-se tendo o pescoço como principal veio entre a vida e a corda.
Morte, morte, morte – triságio completo da mais pura ignorância!

Diz o poeta: Nenhuma palavra.

Em suas mais distantes memórias acobilha-se buscando um entendimento. Ele, ele, ele sabe que ainda existe uma íntima chama que queima, mesmo sabendo que naquele mundo não existe um lugar para ele. Buscou a solidão como um estilo de vida. A taticografia de seus sentimentos sendo derrubados um a um, jurou realmente que era a melhor opção, justo que nunca conseguira-se a mistura perfeita para a alquimia da amizade.

Em suas mais distantes memórias os sons duros das águas ainda faziam-se fortes.  Era volátil, era estranho, era duro. Um teimoso, puro e simples. Fizera o que fizera, pois desejava uma solidão justa e pura.

Uma única solidão.

O lobo dentro de si uiva.

O lobo, mesto da frieza interna, apodrece o coração e torna o frio intragável. Fizera ele só um lobo para destruir a si e caminhar livre nas estepes, nas longas e frias estepes de sua alma. Destruíra, rasgara, matara. O sangue que escorreu pela sua forte mandíbula era dele mesmo. Pendeu-se como um pêndulo eterno, o relógio quebrado que por duas vezes estará certo.

Ustulou a pele na vela acesa buscando sentir algo.

Nada sentira além da própria carne sua.

Carne sua que não era sua.

O mal de andar sozinho tornara sua vida um moinho.

Mesmo assim sobrevivera aos invernos, mesmo assim sobrevivera sem o alimento, aquilo que nos faz humanos, aquilo que nos evoluiu. Caminhou por pedras tão duras que seus pés machucaram-se, tomou tais pedradas duras da vida, talvez este fosse o motivo para ser tão apaixonado pela sua solidão.

Solidão que é só sua.

Afoga-se.

O inverno se fora.

A areia em seus pés, a água tomando o largo da praia. O por do sol na sua distancia única e íntima. Ele respira desejando que fosse a última vez, ele vive desejando não voltar mais. Ninguém, ninguém está ali e ele deseja desesperar-se, ele sabe que sua felicidade não existe e que nunca será feliz sozinho, a felicidade será única e plena quando compartilhar, porém era tarde, era muito tarde para dividir, para compartilhar este estado emocional, esta vida que não era, não era e não era.

Não era.

Não era.

Emerge de suas cinzas, ó solitário.

Atravessa o pertuito dos prazeres indizíveis.

Deita-se com alguém.

Deita-se com uma vida.

Deita-se em meio ao vinho.

És Dionisíaco ao extremo, entrega-se uma única vez a arte grega, a comédia divina, aos deuses pagãos. Entrega-se ao bobo, ao ridículo, aos pés descalços.

– Eu não consigo.

Eu sei que tu não consegues.

– Não conseguirei jamais!

Eu sei, tu não fazes parte disto, és bizarro!

Coma o munício, o diabo sapateou em sua massa. Sua maça tanada, seus olhos tanados, tua vida, tua vida ó grande imbecil. Aleijou-se pela solidão escolhida e agora deseja libertar-se deste simbionte, não haverá cordas, porém és marionete!

Coma a alma.

Não use a crase.

Sua heliopatia te transformou em um notívago. Matara-te aos poucos enquanto não aprendeste a dormir de maneira adequada, ou seja, com alguém ao seu lado. Tu morreras enquanto não fostes dançar o carnaval, enquanto não ouvir música baixa ou pior, enquanto não torcer ao futebol e assistir aos filmes bobos do cinema, aqueles que tu tanto critica!

Leia literatura vampírica.

Seja um tolo entre os amigos

– Eu não consigo – tu diz.

– Eu sei – tu diz

Não percebestes que chegou ao profundo do poço e continuas cavando!? És tão solitário que falas consigo mesmo diante do espelho!

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Sobre Rhuan Rousseau

Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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Poemas