Nunca tem fim

Capítulo 5 – Bird Parte I.

Manicômio Rehab Bird, 31 de março de 1964.

Enquanto ocorria um golpe de estado no país, que iniciou a ditadura militar, em outro ponto do brasil estava ocorrendo um outro golpe, porém mais íntimo e familiar.

A preocupação é a inimiga da razão, é a porta de entrada para o desespero e desesperança, e foi assim que os pais daquele garoto bateram na porta do BIRD o maior e mais famoso manicômio do Brasil, desesperados.

O que eles não esperavam é que estavam entregando seu filho a insanidade, mas sabiam que tinha algo de errado, já tinham o levado aos melhores médicos psiquiatras, já tinham feito diversos tipos de exames neurológico e todos só confirmavam o que era lógico, as terapias não funcionavam e todos especialistas diziam:

“Galford está bem, ele é garoto normal e saudável, mas…”.

Em outras circunstâncias eles ficariam felizes em saber que seu filho era normal, saudável, porem sempre havia o “mas” na frase, que mudava tudo.

E a decisão para levar seu único filho ao Rehab Bird foi difícil, um ato de amor e medo, uma decisão pensada e irracional ao mesmo tempo, a última alternativa dentro das suas possibilidades, mas ambos marido e mulher sabiam de fato o que aquilo significaria, sabiam que assim que o deixassem lá, não o veriam nunca mais.

Que seria abandonar o filho com quatorze anos, em um local desconhecido e a partir dali ele teria que sobreviver por conta própria.

– E foi tudo que fiz nos quatro anos seguintes, Petros eu tentei sobreviver. – Disse um Galford interrompendo a própria história que contava.

– Mas hoje com você aqui, escutando minha história e se divertindo tanto. – Penso em como seria bom, se pudéssemos colocar a dor que sentimos em um envelope e devolvê-la ao nosso remetente sabe ? – Questionou Galford sério e ainda segurando a cabeça do interrogado e soltando-a para que tombasse.

– Era para mim ficar emocionado? – Perguntou Petros confuso, erguendo a cabeça com dificuldade.

– Não, não quero que se emocione, quero que você entenda. – Quero que pense e repense com quem você mexeu, mas já disse para não me interromper…

E uma lâmina de 30 centímetros, atravessou o pé esquerdo daquele homem e o fez gritar mais uma vez de dor.

Vamos lá, estava te contando sobre como fui deixado em BIRD, pois bem deixa eu continuar sem interrupções… Petros? Não durma de novo rapaz, vou te mostrar o que acontecia lá.

Galford tirou sua camisa, e a imagem que Petros viu, o fez estremecer e se arrepiar de medo.

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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