Animais de estimação são  as coisas mais tchutchucas que existem, eu particularmente amo. Mas se é só isso que te move NÃO TENHA UM BICHINHO. Vou explicar o porquê das palavras em maiúsculo contando uma história.

Eu tinha nove anos quando comecei a querer um cachorrinho. A essa altura eu já tinha tido alguns canários, mas eu queria um animal de quatro patas de focinho gelado e que late para caramba. Naquele ano eu fui num passeio em um acampamento, passeio esse que se repetiria no ano seguinte. Pois bem, minha mãe me disse que eu teria que escolher: ou o cachorro ou o passeio. Escolhi o cachorro. Foi assim que em 2001 eu ganhei o Tico, um daschund preto com algumas manchinhas caramelo. Foi um amor construído aos poucos. Graças a ele, eu comecei a brincar no quintal, tendo o meu bebê como companhia. Muitas vezes cada um fazia uma coisa, mas estávamos ali um pro outro. Tico foi meu parceiro por onze anos, além de ter sido o meu primeiro amor (amor fraternal, viu).

Enquanto Tico ainda estava vivo, Max chegou à minha casa. Parecia um filhote de rottweiler e seu rabo havia sido cortado por alguém que não quis tratar do toquinho que sobrou. Tratamos dele e tivemos um ótimo resultado: Max ficou lindo, com um rabinho bem tratado e muito feliz. Antes de ele completar um ano, jogaram veneno no meu quintal e Max se foi.

Tico conviveu com mais um cachorrinho: Pingo, um vira-lata muito doido. Pingo era o guardião da casa, latia para todo mundo, mas era muito covarde (obviamente os vizinhos não sabiam desse detalhe). Ele era muito agitado, só sossegava quando lhe coçavam o queixo. Sempre estressado, vivia correndo atrás do rabo. Quando ele estava com cinco anos, seu stress fez com que ele o mordesse até sangrar. Colocamos um cone para isso não acontecer e colocávamos remédio. Infelizmente, ele pegou uma infecção que fez lhe tirou a vida.

Finalmente chegamos ao meu cãozinho atual: Koda, uma mistura de poodle com lhasa apso e uma leve dose de descontrole. Sério, ele é muito maluco. Às vezes um doce e brincalhão, mas tenta dar uma volta com ele: late pra tudo quanto é cachorro e tenta correr, ainda que você queira caminhar tranquilamente. Sempre que eu chamo por ele, lá vai ele atrás de seu brinquedo favorito (um pedaço de galão de água de cinco litros) para trazê-lo para mim. Eu adoro isso.

Independente do tempo que fiquei com cada um, amei-os de forma muito profunda e senti quando cada um dos três foi pro céu dos cãozinhos. Espero que Koda viva mais uns quinze anos, pois cansei de perder bichinhos prematuramente. Gostaria que tivesse locais mais próximos de casa onde eu pudesse levar ele, locais mais acessíveis. Mas eu te prometo, Koda, darei o meu melhor.

Por isso, quando você quiser ter um bichinho vá além da fofura deles. Pense em ter um amigo e companheiro de aventuras (mesmo que você seja adulto, surgirão aventuras). Se disponha a cuidar deles até o fim da vida (independente da vida de quem). Não precisa comprar brinquedinhos caros: eles sempre vão preferir o seu chinelo. E acima de tudo se lembre: eles são seres vivos dignos de todo amor, carinho e cuidado assim como você. Tal qual um bruxo é escolhido pela varinha, o dono é escolhido pelo seu bichinho.

“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativa.” (frase piegas para encerrar. Por que não?).

Observação: na imagem,meu cãozinho Tico. Desculpem a baixa qualidade. É a única foto que eu tenho dele digitalizada.

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