Nunca tem fim

Capítulo 10 – Whisky para o condenado.

Após deixar Petros trancado e se recuperando para o próximo dia, estou deitado e com os olhos fechados, ao lado de Holly.

Apenas sentindo o ar gélido passar pelo meu corpo, no escuro do nosso quarto e a solidão preenche o ambiente, fico escutando mesmo que distante, o som que me faz despertar desde o dia que deixei Liz na escola pela última vez.

Continuo aqui parado por uns instantes esperando e esperando, escutando as gotas que batem com violência no telhado, esse barulho de chuva é tão agradável, alivia e purifica a atmosfera, relaxa e ao mesmo tempo entorpece de sono, e o silêncio…até me dar conta que não há ninguém, não é o local, muito menos o tempo, as pessoas, ou o momento, é apenas o vazio que preenche os pensamentos.

Tão tênue como a linha do horizonte, que oferece a vista do despertar e o descansar do sol, mesmo que ninguém vá observar.

Dormi e quando me dei conta, amanheceu.

E é assim que começa o dia, como qualquer outro, tento desligar o despertador sem olhar e acabo esbarrando no trinta-e-oito que cai e desperta o Icaro, meu cão, que já cedo está empolgado e vem logo me lamber.

Holly dorme, dou um beijo em sua testa.

– Que mulher linda, pensa um Galford apaixonado.  Ele pensa o quanto ela o fez mudar, o quanto ela vem sofrendo ultimamente.

Me levanto e após todo o trâmite matinal estou preparado para continuar com Petros, verifico minha trinta-e-oito e a guardo sob a camisa, vejo minha garrafa de whisky dou um gole, sinto o gosto e a queimação na garganta e tenho uma ideia.

Encho um copo com a bebida e vou até o cômodo que Petros está, abro a porta dou mais um gole no whisky, penso em como beber sempre me faz querer fumar, tiro esse pensamento da cabeça e digo bom dia ao Petros.

– Como foi a hospitalidade? Confortável não é mesmo. – Galford questionou com um sorriso debochado no rosto.

– Vou soltar sua mão esquerda para que possa tomar um pouco do whisky que trouxe, mas não faça nada estúpido ok?

Petros pegou o copo, e quando deu o primeiro gole com o copo ainda na boca, o chute veio em cheio, como se estivesse pisando, mas fora com tamanha violência que quebrou dedos, copo e dentes.

Enquanto Petros cospe dentes e cacos de vidro, como se não estivesse acontecendo nada, Galford volta a sua tortura psicológica e diz;

– Na noite de BIRD, entendemos o seu significado.

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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