Ele pegou sua jaqueta e saiu pela porta.

Decepcionante saber que a mulher com quem compartilhou quase duas décadas de sua vida, na realidade não o amava.  O que será que passa na cabeça desse ser humano? Era a pergunta que permeava a mente de Ricardo.

Enquanto dirigia, pensava seriamente em todo o ocorrido, misturados a esses pensamentos, lembrava da sua vida com Laís. Da primeira vez que se viram, dos votos trocados no altar, do sorriso dela em sua colação de grau na faculdade, enfim… muitos momentos, muitas emoções e agora, decepção.

A frieza de suas palavras lhe provocavam a ira. Será que ela não se deu conta que me feriu?

E dirigir feito um louco não lhe aliviara o estresse da situação.

Entender o ocorrido era quase impossível, ainda mais, sabendo que o “fantasma do passado” estava de volta, e se iria procura-la ou não, já não era mais importante, as decisões de Laís sim. Futuro incerto, sentimentos aflorados, vontade de sumir… realmente, aquele não era um de seus melhores dias.

Após dirigir, pensar e dirigir, Ricardo para no parque da cidade, local que gosta muito. Observa as plantas, os caminhos e, como se quisesse abrigo de si mesmo, se assenta em um banco, de frente a um lago calmo, onde os movimentos que se destacavam eram das carpas nadando tranquilamente. O movimento era hipnotizante, tanto que, nem percebera, se assentou uma mulher ao seu lado, também solitária e triste e ficara a contemplar a mesma paisagem.

– Tem horas que eu gostaria de ser um desses peixes. (Falou a mulher)

– A vida deles parece tão simples.

– Creio que não tenham problemas pra resolver.

– Nem fala, tem hora que a vida complica tanto… em um momento tá tudo bem, no momento seguinte tudo vira incerteza.

– Aleluias! Não sou a única nesse mundo!

– Qual é o seu nome?

– Márcela. E o seu?

– Ricardo.

-Muito prazer!

– Igualmente. Preciso tomar um café. Me acompanha?

– Sim, com muito gosto.

E foram os dois ao café do parque. Se assentaram em uma mesa para dois e, após serem servidos, cada um contou sua história.

Márcia, acabara de assinar os papéis do divórcio de seu segundo casamento, um casamento que ela não queria que terminasse, mas enfim, nem sempre as coisas acontecem do jeito que a gente quer. Contara também que perdera metade de seus bens, os bens de uma vida, que a guarda da sua filha seria compartilhada e da solidão que sentia em sua própria casa.

Enquanto falava, Ricardo refletia sobre a sua própria história… Será que ele estava ouvindo um prenúncio do futuro?

Melhor não pensar assim. Apesar do peso da fala de Márcia, a conversa tomou um rumo mais agradável e quando se deram conta, estavam conversando há horas.

– Tenho que ir, preciso pegar meu filho na casa do pai.

– Poderíamos nos encontrar de novo?

-Sim, claro… Vou te deixar meu cartão, você me liga e combinamos tá!

– Toma o meu também!

-Não precisa. Quando você me ligar, eu salvo na minha agenda.

-Ok! Então, até um dia.

-Até! Foi um prazer passar a tarde contigo. Faço votos que tudo dê certo.

-Também desejo que tudo te vá bem.

E ao se cumprimentarem, se beijaram respeitosamente no rosto, beijo esse que ascendeu no coração de Ricardo, um sentimento do qual se esquecera: a vontade de conhecer melhor uma outra mulher.

Ainda entristecido, mas muito mais calmo, entrou em seu carro e rumou de volta para casa, não sabia o que encontrar, nem o que ia fazer, só sabia que não queria estragar aquela sensação boa, mas sabia que Laís estará em casa.

Vamos para a batalha companheiro! Falou ele para seu próprio coração.

Quando estacionou o carro na garagem já era noite. Ao ouvir o barulho do carro, Laís fora à porta para esperar por seu esposo. Com semblante preocupado e apreensivo, percebe que Ricardo caminhava calmamente.

– Fiquei preocupada Rica! Onde você esteve?

– Caminhando, pensando, me acalmando. Podemos não conversar agora?

-Sim. Você quer jantar?

-Não, agora só quero tomar um banho e dormir.

Apesar de não gostar da resposta, respeitou o pedido de seu amado e, o deixou ir para a cama, dormir o sono dos justos.

Em seu quarto, Ricardo, não parava de pensar em Márcia. Guardou o cartão, tomou seu banho e se deitou. Apesar de deitar cedo, não conseguiu dormir, ao seu lado se deitara sua esposa que rapidamente dormiu, talvez por cansaço, mais provável ter tomado algum calmante, o que não lhe interessava no momento.

Não aguentando mais ficar deitado, se levantou e pegando seu copo d’água, dirigiu-se à Janela e, recostando em sua lateral, passou a contemplar a lua prateada e, pensando em Márcia e no quanto lhe fez bem aquele encontro.

E hoje esse texto se encerra com a mesma frase do anterior:

O que será que acontecerá com os dois?

 

 

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Sobre Lucia Mathias

Sou um ser humano multifacetado. Pra me conhecer, tem que estar disposto, a conviver com um monte de mulheres em uma só. Hora furacão, hora bonança, hora o próprio cão, hora criança. Sou eu... pra saber mais... ah! Vai ter que descobrir.

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