Crônicas

Helena

– Ação.

Eu disse enquanto apontei a câmera para Amy e Clarice, e as duas começaram a se pegar. Amy usava um corpete que fazia seus peitos quase saltarem pra fora. A luz da câmera refletia em sua pele branca e a fazia parecer uma rainha nórdica de 1,80m, chapada de hidromel, dançando na pista de um pub plebeu brasileiro. E todos os súditos em volta a observavam.

Clarice derramou parte de sua bebida doce sobre o pescoço de Amy e começou a chupá-lo. Amy mascava um chiclete e olhava pra câmera com tesão. Ela mordeu o braço de Clarice antes das duas começarem a se pegar pra valer.

– David, não vai postar isso, pelo amor de deus!

Helena estava atrás de mim. Eu a havia conhecido duas semanas atrás quando enfrentara um demônio* e dado uns catos nela na semana anterior, mas hoje ela estava se fazendo de difícil. Ela insistia em dizer que queria me conhecer melhor antes de dar pra mim. Eu fui ao lado dela no balcão e contemplamos juntos as duas garotas se comendo.

– To ficando com inveja – disse.

– Vai lá no meio delas então.

– Mas não é elas que eu quero.

Disse isso olhando no fundo de seus olhos e ela me beijou. Não me entenda mal, é claro que eu queria elas. Mas apesar daquela noite me provar que eu tinha chance de comer as duas e elas estarem chapadas (o que não tem nada a ver com a afirmação anterior), elas eram amigas, e o código das amigas leva muito a sério o crime de furar o olho de uma amiga, ou mesmo de pegar alguém que a amiga já tenha pego antes. Eu achei arriscado tentar, além do quê Helena era a motorista e a dona do apê onde íamos dormir.

Ela me puxou pelo braço e fomos para um lugar mais reservado. Trocamos mais beijos e respondi algumas bobagens. Ela queria saber algo sobre minha infância, era filha de psicanalistas.

– Um dia eu estava brincando perto de casa e caí em um buraco bem fundo, quase quebrei as pernas.

– E aí?

– Eu tava apavorado, pareciam ter bichos lá. Meu pai desceu com uma corda e me acalmou, e eu lembro até hoje o que ele disse.

– E o que foi? – consegui criar um suspense no ar que a deixou sedenta pelo final e soltei:

– Ele disse “Bruce, por que nós caímos?”.

– Vai se foder.

Todo o encanto em seus olhos se desfez em um segundo e eu ri como um canalha. Pelo visto ela já havia assistido Batman, eu nem precisei chegar na parte em que meus pais morreram e decidi combater o crime.

Pouco tempo depois estávamos de volta em seu apartamento. As pervertidas foram para o quarto de hóspedes e eu fui pra cama com ela.

Helena era voraz na cama. Tirou minha camisa e mordeu, chupou e arranhou cada pedaço de carne visível. Virei por cima dela e comecei a chupar seu pescoço. Apertei seus peitos, eram grandes e macios, e lutei para tirar seu sutiã. Ela avançava e resistia, avançava e resistia não sei se por indecisão ou para me deixar maluco. Quando enfim ela o tirou, eu pude sentir o calor de seus seios em minhas mãos e em minha boca. Usei desses instrumentos para encontrar seus mamilos no escuro do quarto e passei um longo tempo satisfazendo minha pulsão oral com eles.

Enquanto fazia isso ela esfregava meu pau por cima da calça. Pra cima e pra baixo, eu o sentia crescer e pulsar. Pra cima e pra baixo, e então ela o apertava junto com as bolas. Por fim o puxou pra fora da calças e me bateu uma punheta com força. Tirei suas calças e ela sentou na cama com as pernas abertas na minha direção, me encarando, como se me esperasse. Tirei o resto das minhas, agarrei suas coxas carnudas e puxei ela pra mim, jogando-a de costas na cama, os peitos pulando. E meti. Ela gemeu. Pediu por mais delicadeza. Eu tentei me controlar, mas era mais forte que eu. Estava metendo rápido e fundo, e suas pernas estavam nos meus ombros e minhas mãos em seus seios.

– Ai, David, ai, isso, vai! – risos abafados pela parede.

– Isso David, ai, deus! – mais risos.

Enquanto fodíamos não percebi o barulho que estávamos fazendo. Devemos ter acordado as garotas no quarto ao lado ou atrapalhado a diversão delas. As duas começaram a gritar meu nome, gemendo e dando risada. Começamos a rir, Helena e eu. Eu parei de meter e broxei, os dois ainda rindo, pelados na cama.

Bando de filhas da puta, eu devia ter comido as duas.

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Conatus: Substantivo. Latim para esforço; impulso, inclinação, tendência; cometimento. É um termo usado em filosofias de psicologia e metafísica para se referir a uma inclinação inata de uma coisa para continuar a existir e se aprimorar. Outros autores a chamaram de Vontade, Desejo, Pulsão, Elan Vital, a essência inconsciente que dirige suas ações para satisfazê-la quer você queira ou não. David Conatus, no entanto, não é um substantivo. É um verbo, uma ação, a ação de exorcizar em palavras minha visão da existência e do mundo, e de talvez conseguir um pouco de paz ao fazer isso. Já quanto a paz de vocês, leitores, isso eu não posso garantir. Prossigam por sua conta e risco.

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