Séries

Foi só 1 porquê…

Minha visão sobre “Os 13 porquês”

(Sem spoilers)

Desde a estreia, só se ouve falar na série, “Os 13 porquês”, veiculada pela Netflix.

A princípio, pensei: “Vou assistir quando passar a modinha!”,

Mas foi tanta gente falando, discutindo, campanhas, reportagens sobre, que começaram a permear minhas redes sociais que, não resisti… entrei na modinha e assisti em uma maratona louca a tal série.Pensei que era mais uma série bobinha, como a maioria dos enlatados americanos, mas, meu irmão, o que foi aquilo?

Pra mim, um soco no estômago.

Algumas coisas constatei:

– Os adolescentes continuam sendo maus e inconsequentes;

– Os pais continuam vendo só o que querem ver nos filhos;

– Nem todo psicólogo é apto a lidar com dilemas juvenis… e,

– As pessoas estão cada vez mais coisificadas.

Graças ao bom Deus, estudei em uma época em que o bullyng, ficava na escola e em eventuais encontros na rua com os abusadores, para se ter uma foto comprometedora era um trabalho tremendo e, por ser de comunidade carente, essa possibilidade era praticamente nula. Pela falta de tecnologia, éramos obrigados a nos relacionar com muito mais pessoas, por isso, era comum termos pelo menos um amigo e, com esse um amigo, trocarmos as nossas confidências, medos e anseios… Deus! Obrigada pela benesse.

Hoje o negócio é diferente. No advento dos avanços tecnológicos, evoluiu também as formas de se praticar a maldade, vive-se hoje os tempos do ciberbullyng e o constrangimento que durava o tempo de permanência na escola, agora dura 24h, se antes os abusadores tinham voz e rosto, agora o abuso pode vir de qualquer um; qualquer um pode ter uma foto comprometedora ou um vídeo humilhante e uma vez estando na internet… já era, a situação vexatória, vai estar registrada pra sempre… Sinto muito por vocês.

Não dá pra comparar o bullyng de antes com os de agora, o bagulho é louco nessa década!

Não tenho filhos e fiquei com medo de tê-los, depois dessa série. Simplesmente porque, as minhas receitas, simplesmente não funcionariam com a geração atual.

Eu falaria para o meu filho:

Pra curar a depressão: Vai trabalhar! – A Hannah trabalhava e ficou deprimida.

Pra se divertir: Vá às festas com seus amigos! – Quem poderia ser chamado de amigo?

Pra se enturmar: Interaja com os outros? – Como? Se meu ciclo mais próximo de conhecidos já me colocou um rótulo?

Então mude de ciclo! – Bah! Para qual, Cara Pálida?

Ser pai é difícil. Nessa série, o que me chamou a atenção foi justamente isso, como os pais não sabiam o que fazer, por simplesmente não terem contato com o mundo dos filhos. Em 20 anos, o mundo mudou de tal forma que a frase: No meu tempo eu fazia assim! Ou Quando eu tinha a sua idade, eu já fazia isso ou aquilo! Já não funcionam mais, porque agora, a demanda é outra.

Além da questão do trabalho e das dificuldades de se enturmar, existe um outro problema, que sempre existiu, mas que na atualidade está projetado em uma proporção gigantesca e, infelizmente, está se tornando comum: A COISIFICAÇÃO DO SER HUMANO.

Essa geração está se desenvolvendo em uma sociedade onde nada mais importa: seu corpo não importa, suas ideias não importam, a vida do outro não importa…

Isso foi o que aconteceu com Hannah.

No final das contas, ela foi tratada por quase todos como uma “coisa” que qualquer um poderia rotular, pegar, usar… e isso minou a sua mente. Os que não fizeram isso se omitiram, por medo, por incompetência emocional ou por simplesmente não terem vontade… isso é horrível! No final das contas ela simplesmente se cansou, cansou de ser uma coisa, de não ter respaldo, não ser realmente ouvida, cansou de se sentir descartável.

Em muitos anos, essa foi uma série o qual o último capítulo me fez chorar. Não por causa da dramaticidade das cenas, mas por constatar que, no final das contas, existem muitas Hannahs por aí, coisificadas/os, rotuladas/os, sozinhas/os, incompreendidas/os.

Senti muito, porque existem muitas famílias Baker por aí, que perderão seus filhos e filhas para uma morte sem sentido, por não conseguirem construir pontes emocionais e contextuais entre as gerações… não saberem conversar.

Senti muito, por ver em uma série, o espelho de uma geração que está cada vez mais à mercê de uma mudança cultural tão infeliz: a substituição do ser pelo ter em proporção mundial.

Pensando sobre os 13 porquês de Hannah, eles poderiam ser resumidos em apenas um: Hannah se cansou de se sentir uma coisa. Infelizmente, o desfecho foi o pior possível… Mas lendo as entrelinhas da história, não há como julgá-la, Ela só queria ser enxergada, ouvida… e o que ela não conseguiu em vida, conseguiu em morte.

Legal de tudo isso é a campanha: “NÃO SEJA UM PORQUÊ”, sobre a prevenção do bullyng. Desculpem-me os otimistas, mas isso não vai surtir muitos efeitos, se não começarmos trabalhar a ideia de que “temos que mudar o jeito como tratamos as pessoas”. Ensinar que nem toda piada tem graça, nem toda fama é justa e que a velha fórmula: trate os outros, como você gostaria de ser tratado, funciona. Deixar um pouco o celular de lado, mostrar que internet é legal, mas não substitui um abraço, uma conversa pessoal. Que os corpos alheios são propriedades particulares e que não temos o direito de violá-los.

O bom da história é que o 141 (CVV) tá bombando, infelizmente porque temos muitas Hannahs em potencial, mas já é um começo, muito legal saber que tem pessoas com ouvidos para ouvir. Melhor seria se, fossemos nós, ouvidos em potenciais a ouvir e forças em potencial a ajudar.

Não gosto muito desse tipo de frase, mas: Vou levar essa história fictícia para a vida… Até mesmo porque comprei o livro agora… caro pra caramba!

Ps.: Recomendo a série para pais e filhos verem juntos, a discussão é pertinente.

   – Não recomendo para pessoas com depressão, bipolaridade e pensamentos suicidas… vai por mim, potencializa a vontade mesmo… A mina é sofrida!

    – Se você quiser ser um ser humano melhor, pare de tratar ou considerar as pessoas como coisas.

Essas foram minhas impressões, não peço que concorde ou aplauda. Esse texto é apenas o exercício de pensar como indivíduo em uma sociedade plastificada.

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A grande beleza de ser humano é ter a liberdade de mudar.... Pois bem, continuo mudando e melhorando Sou apaixonada por pessoas Sou apaixonada pela vida E quero viver sempre o melhor dela... ah! Descobri que gosto muito de dinheiro e do que ele pode me proporcionar... e isso não é pecado.

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