Os dias passam rápido. As vezes tenho a sensação de que estou dentro de um carro, no banco do passageiro, com a cabeça encostada no vidro vendo a vida passar sem poder toca-la, sem poder experimentá-la, sem sentir o tesão de existir subir pela espinha.

As horas passam no relógio de forma avassaladora. O ato de olhar frequentemente para o marcador do meu tempo me causa tédio, esse por sua vez, suga de mim a pouca vontade de existir.

Penso em colocar a mão dentro da calça e masturbar-me, afastar o desejo de não ser, com os pensamentos de quem posso ser. Nos movimentos de fricção encontrar alívio. Entre os gemidos de orgasmos sentir a paz e a realização.

Gostaria de suprir minha alma com a mesma facilidade que supro meu desejo sexual. Ser capaz de acalmar esse monstro doentio que algumas vezes se descontrola e me tira a paz.

Seria possível masturbar minha alma? Trazer a paz e o prazer de existir com minhas próprias mãos e simples movimentos de fricção? Queria eu saber responder, ou mesmo, dominar uma técnica tão eficaz.

Enquanto não consigo masturbar minha alma, sigo olhado para os ponteiros e tentando encontrar o tesão que nunca veio, por algo chamado viver.

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