Olhando seu reflexo no espelho do banheiro pensava se seria melhor passar uma maquiagem leve para tentar disfarçar as olheiras, mas desiste. Afinal, para conseguir o efeito que queria apenas uma pintura ‘leve’ não seria suficiente e não tinha ânimo para mais que isso. Ao invés de lavar o rosto decide tomar um banho. A água morna desce reconfortante por seu corpo ferido e dolorido e junto com ela o sangue corre por suas pernas. Fica ali até que o líquido aos seus pés fique todo transparente, só então desliga o chuveiro e seca-se. Tenta escolher uma roupa bonita, mas nada lhe cai bem, as visitas chegarão dentro em pouco, todos querem vê-la. Suplanta a vontade de deitar-se e fechar os olhos e caminha até a cozinha para fazer um café. O cheiro é revigorante, mas não pode tomá-lo, recomendações médicas, nada de cafeína pelo próximo mês. Leite também não poderia. Então pega umas bolachas de água e sal e come junto com o resto de chá de camomila que sobrou de cedo. Senta-se no sofá, mas antes de se recostar ouve o resmungo vindo do quarto. Deixa seu chá pela metade e vai até lá. Esquece a dor no corpo e o cansaço lhe abandona. Naquele momento torna-se a mulher mais linda do mundo. Da cama os pequenos olhos de seu filho a acolhem. Naquele dia ele tinha nascido para o mundo e ela também para o mundo tinha nascido, como mãe.

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