Textos

Igualdade?

Tem você consciência que o art. 5º, caput, da Constituição Federal de 1988 dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza?

A grande problemática é que somos todos desiguais, a lei posta é que não muda frente a estas diferenças. Mas, sua aplicabilidade e efetividade, a meu ver, se modifica caso a caso.

Em mais uma aula na faculdade de Direito, meu professor anunciou que naquele dia faríamos uma atividade alternativa, uma dinâmica. Caminhamos até o pátio para realizá-la e consistia em algumas perguntas/afirmativas feitas pelo professor e os alunos que estavam lado a lado, dariam um passo a frente ou para trás, de acordo com a resposta.

A primeira afirmativa era: quem é homem dê um passo a frente. (quem não era ficaria no mesmo lugar – como eu fiz).

A segunda: quem já estudou em escola particular dê um passo a frente. (não me movi) 

A terceira: quem sempre estou em escola pública dê um passo para trás. (foi o que fiz)

 A quarta: quem é proprietário da casa onde mora, ou que os pais sejam proprietários dê um passo a frente, e quem não for dê um passo para trás. (dei novamente um passo para trás)

A quinta: quem possui um automóvel ou mais de um dê um passo a frente e quem anda a pé ou depende de transporte público dê um passo para trás. (dei outro passo para trás)

A sexta e última: quem se considera branco dê um passo a frente e quem não, dê um passo para trás. (dei outro passo para trás).

Quando o professor terminou ele pediu para que a gente observasse novamente as posições em que nos encontrávamos.

Voltamos para sala onde a discussão sobre a dinâmica foi iniciada, eu não me manisfestei, ainda estava digerindo tudo o que tinha acontecido.

Percebi que a  maior parte da minha sala tinha dado passos para frente e eu era uma das únicas pessoas que tinha dado tantos passos para trás, eu literalmente só andei para trás, me distanciei de todos.

Percebi que não há igualdade alguma, mesmo sendo uma faculdade particular, vi que eu estava para trás em tudo, e para estar ocupando o mesmo espaço que meus colegas eu dou uma volta muito maior, é uma caminhada muito mais árdua, sobretudo financeiramente.

Sim, uma pessoa como eu mulher que não detém propriedades, que sempre estudou em escola pública e que ainda não é branca estuda na mesma instituição que um homem, branco que sempre estudou em escola particular e que ainda possui patrimônios. Mas, isso não é igualdade, é diferenças estampadas, me senti isolada na dinâmica, como se ali eu fosse as exceções que ocorrem.

A igualdade formal está a passos largos da igualdade substancial, no Brasil hoje ainda é muito mais difícil alguém pobre chegar ao Ensino Superior, e quando chega tem que fazer um esforço muito maior para conseguir graduar-se.

Naquela aula percebi que já entrei na faculdade correndo atrás dos meus colegas. E quando estivermos no mercado de trabalho isso não mudará.

Para conseguir me colocar no mesmo patamar que os outros tenho que fazer tudo em dobro, um desgaste imensamente maior.

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Mineira, graduanda em Direito e alguém que escreve. Mas, se verídico for que exista vidas passadas, acredito fielmente que já fui um ser de asas. “De Saco Cheio e Mau Humor” é antes de tudo diversidade, de pensamento, de posicionamento e idealismo. Tem de tudo um pouco, esse é o diferencial. Liberdade para escrever, cada um no seu contexto. Facebook: https://www.facebook.com/cecilia.santi.39

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