Prólogo

Ela está ajoelhada fazendo suas preces noturnas. O santuário inundado no escuro, as únicas luzes são das velas que queimam incessantemente sobre o altar e projetam silhuetas orgânicas e assustadoras na parede, delas emana um cheiro suave e agridoce de mirra.

No total silêncio é possível escutar o sussurro dos seus pedidos de santidade e restauração para sua alma, o que é uma ironia, já que ela decidiu compactuar com o diabo.

Calmamente aproximo-me, e antes que ela possa notar-me, passo o terço em volta do seu pescoço e começo a puxar, ela furiosamente debate-se e tenta desprender-se, mas não tem forças para me deter.

A cada solavanco dela tentando desencarcerar-se, mais sinto a força do altíssimo em minhas veias, na verdade, é como se as próprias mãos do todo poderoso se fundissem as minhas. Meu corpo chega a aquecer-se com a glória da justiça que desce no ambiente. Essa noite o nome santo do senhor é exaltado com júbilos e sacrifício.

Seus movimentos diminuem e seus olhos esbugalham-se, parece que vão sair das órbitas. Seu rosto branco é tomado por um tom de vermelho que avança rapidamente para o roxo, até finalmente seus movimentos e sua vida esvaírem-se.

Seu corpo inclina-se para frente e cai, o barulho parece de uma casca oca de amendoim que se chocou contra o assoalho.

Como determinado pelo altíssimo, coloco-me ao seu lado, rezo uma Ave Maria e dois Pais nossos e em seguida pego a faca no bolso e faço a cruz Papal em sua testa.

Anúncios