Pisou fundo no acelerador. Estava cansado e com sono, queria chegar logo em casa. A pouca bebida que tinha tomado não afetava seus reflexos, só não podia encontrar nenhuma blitz, pois com certeza tinha passado do nível permitido. Mas isso não o atrapalhava, sempre voltava dirigindo depois da balada.
A cada minuto que passava o sono aumentava. Correu mais. Precisava chegar ou acabaria dormindo ao volante.
O sinal vermelho àquela hora da madrugada não era motivo para parar. Não tinha ninguém nas ruas. Passou direto.
As pálpebras pesadas descansaram, mas apenas por um minuto. Logo retomou a consciência. Olhou para os lados, mas continuava sozinho guiando pelas ruas desertas. Continuou a correr, agora estava perto, sua casa se encontrava a poucas quadras.
Antes de chegar, notou a polícia à sua porta. Caminhou lentamente imaginando o que poderia ser. Só então percebeu que estava a pé. Em que momento tinha descido do carro? Não percebera.
Achegou-se perto do aglomerado de pessoas tentando não cambalear. Sua mãe na soleira começou a chorar. Correu até ela para consolá-la, mas a mulher, ao invés dele, aceitou o ombro que o policial lhe oferecia enquanto lhe sussurrava “Sinto muito”.
O rapaz, que agora gritava por atenção, estendeu sua mão para tocar a mãe, mas já não a sentiu. Olhou sua própria mão enquanto esta se desfazia virando neblina na madrugada. Teve vontade de chorar, mas isso já não podia. Então ficou ali, olhando sua mãe em prantos ser recolhida para dentro da casa, onde a partir daquele dia viveria sozinha, e ele, que sempre tivera tanta pressa a vida toda, agora orava por um minuto a mais ali. Mas, quando o sol começou a surgir no céu, a neblina se dissipou, e com ela tudo o restava dele foi-se, sem nem poder se despedir.
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