Leve-me ao Boteco!

Eis a pergunta de um milhão de dólares:

– Lucinha, por quê você não faz uma página no facebook… uma página da Lucia Mathias  a escritora?

-Não é a minha praia…

-Mas você escreve tão bem! Seria interessante saber suas opiniões e impressões sobre os fatos do dia a dia… é uma forma de manter contato com os amigos, de alçar mais seguidores para o blog… é uma arma potente de comunicação!

-Interessante! mas enquanto puder protelar, melhor… só abro uma page se o big boss, Thiago Lima, me disser que é imprescindível, enquanto isso não acontece… se quiser saber minhas opiniões e impressões leve-me ao boteco.

Há quem pense que sou uma alcoólatra de cara inchada, de dentes amarelos e fala mole (meu Deus! Isso é a descrição do capiroto!), só que não: sou abstêmia, não tabagista, não como açúcar, depois das 22h meu cérebro só pede cama e pra completar, não frequento bares…

Contudo, fico muito feliz quando me convidam para as famosas conversas de bar. Apesar de não me enquadrar muito ao ambiente, me agrada muito, me assentar com as pessoas àquelas mezinhas dobráveis de metal, onde é de praxe ter aquela carne gordurosa e cheia de cebola, ou aquela calabresa de origem duvidosa, acompanhada da garrafa de cerveja e do copo suado, se tiver aquelas músicas de puteiro ao fundo… Vixi! Meu ambiente! Por certo, vou pedir uma água sem gás, mas com uma rodelinha de limão e vou, de vez em nunca, pegar uma rodelinha de calabresa com aquele palito de dente que sempre quebra, só pra não dizer que não falei das flores… e pra mim é o programa ideal, mas como disse… até as 22h! Talvez seja pela cultura incutida.

Sou de uma geração que não contava com a maioria das tecnologias de hoje para se conectar, por isso, as grandes discussões aconteciam à mesa, quer seja em casa ou na rua. eram mais comuns as brigas por discussões de assuntos fúteis em bar, no entanto, eram mais raras as mortes, não que não fossem muitas, contudo, eram mais raras. Política, religião, moda, homoafetividade, futebol, enfim… tudo era discutido. frequentemente se viam palmeirenses e corintianos se zuando, gritando um com o outro, ficando nervosos e as vezes até saindo na mão (trêbados geralmente) e no outro dia, se encontrando e dividindo as pingas como se nada tivesse acontecido e isso era com qualquer tipo de assunto, tão comum quanto se ouvir um chamando o outro de corno e por aí vai.

Ao som de música realmente popular brasileira (Amado Batista, Reginaldo Rossi e etc.), muito casal se conheceu e algumas eleições foram decididas e por incrível que pareça, o índice de inimizades por causa dessas discussões eram quase nulos porque, apesar do alto nível etílico envolvido, as pessoas eram obrigada a falar suas verdades olhando nos olhos do seu “escutador” sabendo que, poderia ouvir um belo vai tomar no**, assim, se fala o que quer, ouve o que não quer. Essa forma jurássica de comunicação, a “conversa presencial”, servia, meio que, como um filtro para a exposição dos conteúdos internos. Não dava tempo da pessoa ficar ruminando muito os argumentos e nem curtindo a ira e a possibilidade de se ficar chateado com o outro era muito menor, as conversas poderiam terminar com o vai tomar no ** ou um belo vá se ***** , mas terminam as conversas e não as amizades. Nessas conversas aconteciam as reais trocas de ideias e mudanças de opinião, e o melhor, tudo regado à bebida e churrasco de gato. Não existia a exigência de se pensar igual, por isso, era muito mais fácil se conviver com o diferente.

Agora pense comigo: Você acha que eu tenho cara de facebook?

Acompanho pouco o movimento dessa rede social, mas o que vejo é que as pessoas têem nela, as mesmas conversas de boteco, só que sem o filtro da presença do outro e com um tempo impressionante de ficar pensando argumentos muito elaborados (ou procurando argumentos de outros pensadores em outras páginas), existe o tempo de curtir a ira que é projetada de maneira muito mais agressiva.

É maior a arrogância de se ter a ultima palavra e, quando não há concordância é fácil, é só desfazer a amizade! Prático, rápido e doentio. Quer dizer, só sou amigo daqueles que pensam como eu. O que pensa diferente é dispensável, até mesmo porque meus argumentos são valiosos demais na forma bruta para serem refinados e rebaterem de forma qualitativa aos que pensam diferente de mim (desculpem a ironia).

Essas fortalezas digitais estão alicerçando uma cultura de “emburrecimento intelectual”  tão forte que dá até medo… todo mundo é perito em tudo: todo mundo é cientista político, gestor de segurança pública, juiz jurado e algoz, doutor em história, psicólogo e por aí vai, contudo é raro aquele que tem a humildade de reconhecer que é só um ser humano com opinião própria. Existe uma preocupação tão grande em se ter a ultima palavra, que se esquece de que mais vale preservar um bom amigo que discorda do que um boçal inútil que concorda.

E se reclama que o povo tá acabando com o português, que as pessoas estão menos respeitosas, se mata mais por motivo torpe, a política está uma fezes, e se conversa menos dentro de casa… Pergunta-se muito o porquê de tudo isso. Respondo em uma frase: é muito dedo na tela e muito pouco olho no olho. Como se esperar humanidade se não se sabe lidar nem com uma opinião discordante?

Ah mano! Morro e não entendo isso! Planta-se limão e quer se colher chocolate… kkk geração idiotizada, com todo respeito.

Diante disso, permaneço com minha posição: Quer saber minhas opiniões: LEVE-ME AO BOTECO. Lá eu digo tudo o que você quiser saber, mas falando do jeito que eu penso no meu raciocínio rápido e encarando sua reação. Me dando o direito de mandar você ir se ***** sem medo de ser feliz e sem o receio de ouvir a mesma frase de você. Com a liberdade de não ter a ultima palavra sobre a questão… até mesmo porque sabedoria é saber que o ser humano erra, diverge e sofre e isso não inferioriza ninguém; e o melhor de tudo, se brigarmos, com certeza seu alto nível etílico vai fazer você se esquecer do motivo das nossas discordâncias, o sono me fará encerrar a conversa te levando pra casa antes das 22h e assim, não nos bloquearemos e nem desfaremos nossa amizade.

Não critico quem goste de facebook… mas prefiro o boteco!

 

 

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Autor: L. Mathias

A grande beleza de ser humano é ter a liberdade de mudar.... Pois bem, continuo mudando e melhorando Sou apaixonada por pessoas Sou apaixonada pela vida E quero viver sempre o melhor dela... ah! Descobri que gosto muito de dinheiro e do que ele pode me proporcionar... e isso não é pecado.

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