– Doutora, a paciente nova chegou.

Finalmente, depois dessa semana do cão, uma novidade!

-Pode mandar entrar.

Laís abre a porta de seu consultório e a espera, sem muitas pretensões, o que sabe da mesma é que sua nova paciente é alguém que precisa muito conversar. Quando a dita aponta no início do pequeno corredor, seu coração acelera e um misto de nervoso e alegria lhe toma num repente.

– Dê! O que você faz aqui sua loca?

-Tava precisando conversar com uma psicóloga, uai… Posso entrar?

– Claro! Fique a vontade.

Ambas entram e sentam-se frente a frente, novamente num momento tenso entre as duas. A ultima conversa não terminou da melhor forma, essa certamente não será a mais calma delas.

– O que a traz aqui? Posso te ajudar em alguma coisa?

– Amorzinho, nossa conversa não terminou bem, eu não fiquei bem com ela e sei que você também não está legal. O Ricardo foi embora, você está sozinha e sei que está sofrendo… Independente dos ocorridos, continuo sendo sua amiga e estou preocupada com você.

-É… esse não é o melhor momento da minha vida mesmo, mas não preciso de sua compaixão. Vou superar.

– Amorzinho… te conheço, você tá sofrendo e não é compaixão, se lembra que eu te amo pra sempre? Eu não quero ver você infeliz.

Ouvindo isso, Laís não aguenta e desmonta em um choro sofrido, como se sua alma estivesse esperando que alguém lhe dissesse a senha para  abrir as portas da sua humanidade.

-Tá doendo… eu quero morrer… eu quero chorar… eu quero…

-Vem cá!

Falou Denise abrindo os braços para acolher sua amada. Laís saiu de sua poltrona e, como se encontra-se um lugar de descanso, se envolveu naquele abraço e ali ficou por alguns minutos.

-Sinto sua falta.

-Eu também, Dê.

– Eu queria voltar naquela época, quando a gente não tinha nada com o que se entristecer.

– E eu queria me sentar novamente com você naquele boteco boca de porco e passar a noite inteira bebendo aquela vodca ruim e cantando músicas… errando todas as letras possíveis e imagináveis.

– Quer tentar de novo?

– Meu coração quer.

Nesse momento, elas se olharam e selaram um retorno com um beijo longo e desejado. Não tinha mais nada naquele lugar. A agenda, os conceitos, as intempéries, nada as impediu de viver aquele momento.

Laís não sabia o que pensar, nem queria pensar em nada, só em viver aquele momento.

As duas foram para a casa de Laís e tiraram uma da outra, o atraso de uma vida, dormiram juntas, abraçadas como antigamente e a noite se foi feliz. Depois de muitas luas, elas dormiam feliz e em paz.

E assim seguiram-se os meses. Elas alugaram um apartamento, decoraram e como aquela casa, também reconstruíram sua relação, como se os anos separadas não existisse. Dividiam os boletos, a toalha, a cama, os pertences.

Denise estava feliz e fazia planos para a viagem dos sonhos para a Indonésia e se preocupava com Laís, como se ela fosse a única razão de sua vida. Laís também queria viver aquele sonho, mas as vezes a lembrança de Ricardo lhe vinha à mente. A história se repetia, ela estava com uma parceira, mas seu coração estava em outro lugar.

-Dê, vou dar uma saída.

-Onde você vai?

-Dar uma volta, to querendo andar um pouco.

-Vou junto com você.

-Não, pode ficar tranquila, volto logo.

E foi Laís novamente para o bar de estimação beber sua cerveja amiga. Chegando lá, fez como de costume, sentou no balcão e pediu uma cerveja. Reflexiva, olha pro copo e nem percebe que Ricardo está perto.

-Por aqui de novo?

– Oi Rica, o que você tá fazendo aqui?

– Fazer o mesmo que você, pensar um pouco.

-A vida é assim mesmo, Um dia achamos que não temos nada a pensar, no outro só fazemos isso, pensar o que fazer da vida.

-Tá tudo bem contigo?

-Tô legal, mas as vezes sinto sua falta. Normal, muitos anos juntos né!

– Verdade… vamos marcar pra conversar mais um pouco?

– E por quê não agora?

-Verdade, tanta formalidade pra fazer algo tão simples.

e a conversa foi longa. Sem perceber, fizeram o que na muito não faziam, riram juntos. marcaram um novo encontro e, no peito de Laís, a bandeira 2 se estendeu, sentia vontade de estar com Ricardo e ao mesmo tempo, se sentia feliz com Denise, o que iria acontecer? Não importava naquela noite.

Ela voltou pra casa e Denise a esperava com um lindo sorriso. Tomaram banho, se deitaram na cama quente e dormiram abraçadas. E naquela noite, Laís dormiu um sono perfeito, sem saber o que o futuro lhe guardara.

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  1. […] Lucia Mathias In: De Saco Cheio e Mau Humor […]

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Sobre Lucia Mathias

Sou um ser humano multifacetado. Pra me conhecer, tem que estar disposto, a conviver com um monte de mulheres em uma só. Hora furacão, hora bonança, hora o próprio cão, hora criança. Sou eu... pra saber mais... ah! Vai ter que descobrir.

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