Breaking bad não foi somente uma série, mas uma experiência daquelas que te faz sentar no sofá, encarar a televisão e contemplar um homem comum se jogando no abismo da metanfetamina.

Diferente de muitas séries dramáticas, Breaking Bad apresentou um inimigo palpável e presente no cotidiano da maioria da população, a normalidade.

Depois de 5 longas temporadas, mais de 60 episódios. Walter finalmente teve coragem suficiente para assumir aquele que foi seu primeiro erro. Acreditar que tudo que estava fazendo era por sua família. Quando felina finalmente veio à tona, Walter estava diante de sua esposa e confessou seu maior crime: “Eu fiz isso por mim mesmo, porque eu gostava”.

A série foi desenvolvida em cima de um homem comum, que encontra seu maior desafio em aceitar a normalidade, a mediocridade e contentar-se a uma vida sem reconhecimento do mundo.

Quando finalmente encontra sua suposta salvação, Walter se joga de cabeça, abandonando para si, a imagem do pacato professor de química fracassado, que é reconhecido como um bom homem e pai de família, e tornar-se Heisenberg.

Heisenberg é uma extensão dos desejos de todo homem comum, tornar-se respeitado, admirado, cultuado por si mesmo e pelo mundo. No fundo, todo homem deseja despir-se do significado piegas da normalidade, e adentrar no raro mar de destaque.

Breaking Bad é uma simples massificação do medo do ser humano de ser lembrado pelos seus fracassos, seus atos de omissão e sua diária frustração com os pequenos problemas. Cada vez que levantava da cama e tinha que encarar a casa medíocre, as contas sobre a mesa, a jornada dupla de trabalho, e as seguidas humilhações do chefe, Walter esqueceu que ser um bom homem e pai era suficiente.

Quando a frustração sobrepõe uma visão clara sobre as pequenas conquistas diárias, o homem entra em uma jornada para encontrar a si mesmo, e cultuá-lo, trazendo de volta para si a suposta dignidade arrancada de seu peito pela normalidade.

 

 

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