Tudo tem um fim

Até o que achamos eterno

Finda-se o dia, finda-se o curso

Finda-se o amor mais sublime e etéreo

 

Finda-se a dor da perda e o sorriso volta

Também se finda a alegria do dia

Quando nos lembramos da

maldita amada morta.

 

E sempre ficam na memória:

O beijo molhado,o tapa encaixado,

o porre mal curado, o coração apertado

Como algoz da alma a memória sempre fala:

– lembra aquele momento?

– lembra quando a felicidade te iludiu?

– Quando o sorriso era farto?

-Do beijo que te despediu?

 

A ironia dessa vida é que

reles e perecíveis mortais que somos

lutamos para sermos eternos, lembrados

amados, idolatrados se possível,

mas como tudo nessa vida, com nossa

presença, a lembrança também se esvai

e se finda a soberba, se findam os brados

se findam os gemidos dos amados.

 

A promessa do altar se finda

A eficácia do conselho paterno também

Tudo se finda nessa vida

Menos a certeza de que depois de cada fim

precisamos continuar e olhar além!

 

 

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