Ela queria ser escritora. Seu sonho de criança. Milhares de terras fantásticas e criaturas desconhecidas povoavam sua mente.
Cresceu. Formou-se. Começou a trabalhar. Nas horas vagas escrevia. Construiu casa, constituiu família. As horas vagas ficaram cada vez mais raras, no entanto suas fantasias não diminuíram.
A rotina lhe sugava as forças, mas não as idéias. Ainda tinha universos inteiros coabitando seu interior, dividindo espaço com sua própria alma.
A semana era exaustiva. O dia corrido. Depois do trabalho ainda tinha casa, filho, jantar… O serviço não tinha fim com o expediente.
Depois do jantar servido, filho na cama, louça lavada, enfim pode escrever. As letras na tela, porém, embaralham-se frente seus olhos cansados e, sem perceber, as pálpebras pesam. Desisti. Afinal de contas o dia seguinte começa cedo. Rende-se ao cansaço. A folha se fecha, em branco mais uma vez. Sente culpa. Mas não por muito tempo. O sono a encontra rápido.
Nos sonhos, visita seus mundos imaginários e seus seres únicos e fantásticos a consolam. Quando o celular desperta chamando-a para mais um dia, ela se despede de seus sonhos e os guarda bem no fundo do seu próprio coração, de onde talvez nunca saiam. Ela os reencontrará novamente à noite.

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