rain-2538429_1920

Em mais uma daquelas madrugadas em que paralisada fico olhando para o teto buscando entender o significado de eu ainda estar aqui, percebi que na minha vida a única estação que existe é o inverno.

Por aqui nunca faz sol, nunca vejo as flores,  nem mesmos os pássaros. Tudo é nebuloso e frio como se eu tivesse sido escolhida para ser para-raios das maldades alheias e assim ter que suportar todas as dores que me causam com um sorriso no rosto.

Ainda me pergunto porque estou aqui, já que eu realmente não faço questão de sofrer.

É exaustivo ver a morte todos os dias, é corrosivo e doloroso. A cada decepção morre uma parte de mim, cada dia um canto do meu ser fica cinza, pois a dor é diária, mas mesmo assim não me acostumo com ela.

Vejo a morte nos olhos de pessoas que assim como eu estão perdidas, é um olhar frio, triste e sem brilho, e quase sempre fixados a observar o nada.

Vejo a morte quando pessoas que amei me viraram as costas e foram embora, sem dar nenhuma explicação e nem se preocupar com que eu sentia.

Vejo a morte ao ver meu reflexo no espelho ou nas poças espalhadas pela cidade, que evidenciam alguém vazio de grandes felicidades, mas cheia de tristezas e feridas mal curadas.

E muitas outras mortes acontecem em vida e estas são as mais dolorosas, ter que matar alguém ou algumas lembranças e sentimentos dentro de si é uma dor insuportável. Hoje matei mais uma pessoa, na verdade a dor que ela me causou que me quebrou, então não tive outra alternativa.

E hoje será mais uma daquelas noites em que me deito e olho para o teto e me pergunto:

  • O QUE EU AINDA ESTOU FAZENDO AQUI? SERÁ UMA ESPECIE DE TORTURA? OU SOU UMA MARIONETE NAS MÃOS DE UM CEIFADOR DE VIDAS?
Anúncios