Cadáveres Mentais

Relembrar o passado é uma tarefa árdua, muitas vezes ainda existem demônios vivos adormecidos que só precisam de uma chance, uma desculpa, uma única pegada fora da plenitude para te arrastar devolva a sepultura.

Uma simples lembrança é capaz de fazê-lo reviver a dor, o trauma, a alegria ou qualquer outra emoção que permeia o momento antes esquecido.

Relembrar não é o simples ato de trazer de volta memorias distantes ou esquecidas, é o laborioso trabalho de desenterrar um defunto, esse por sua vez, fede, está em decomposição, e há lavar e vermes sobre ele. Quando o homem se permite relembrar, está aceitando as consequências dessa escolha.

Ah, se todas as escolhas que fizéssemos na vida fossem certas, provavelmente nossos cadáveres mentais teriam o aroma de rosa silvestres, com espinhos longos e afiados, mas que facilmente conseguiríamos evitar.

Mas a vida é uma jornada espinhosa, não como os de uma rosa, mas de um cacto, cujo valor está dentro da planta, e você precisa transpassar os espinhos e chegar ao centro, e somente lá encontrará o néctar, a tão sonhada recompensa para aqueles que atravessam o árido deserto e tem sede.

Porque então o homem precisa desenterrar seus fétidos cadáveres? Simples! Há uma multidão cujo único desejo é uivar para o mundo seu chamado, sua necessidade, alertar a todos os que não mais ouvem que a brutalidade, a ignorância e o preconceito estão tomando o mundo como uma erva daninha que sorrateiramente avança sobre a plantação e sufoca o trigo.

É necessário que todos os corpos em decomposição sejam expostos, colocados em praça pública, para que a população que se tornou indiferente a dor de outro ser humano, finalmente perceba o aroma desagradável, podre, sofrido e sincero daqueles que foram discriminados, maltratados, expurgados e oprimidos.

Quando ao meio dia, diante de todos, os cadáveres forem colocados, as pessoas finalmente perceberam que desenterrar o passado causa dor, mas esse sentimento não é pior do que a sensação de não ter ou não pertencer a algum lugar.

 

 

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Autor: Rodrigo Moura

Sou um mero aspirante a poeta, filosofo e escritor. Tenho 21 anos e moro na cidade do Gama. Costumo dizer que não domino o "segredo" da exímia escrita, mas vivo para escrever, e escrevo para viver. Torno cada palavra escrita e dita um motivo para acordar, um sonho para realizar e como força para respirar. Não escrevo um só gênero, porque acho que ainda não encontrei um que me defina, ou nunca encontrarei, talvez no final eu seja um transeunte entre gêneros, cujo o objetivo seja transmitir uma mensagem, seja ela, escrita ou falada.

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