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Diversas vezes preferimos silenciar, mesmo quando nosso interior grita desesperadamente.  Toda vez que nos calamos cria-se mais uma versão de uma carta cheia de significados, tipo aquelas que se perdem pelo caminho e que nunca são entregues pelo carteiro.

Nesse caso, o carteiro somos nós, mas por medos, insegurança e confusões, engolimos todas as palavras e de certo modo, esperamos que o outro entenda o que queremos dizer e o que sentimos.

Com o passar dos anos cada vez mais nos tornamos um amontoado de coisas não ditas, de sentimentos sufocados e gritos contidos. É a velha mania de contornar o que nos tira o sono ou o que julgamos inalcançável, sem ao menos tentar, pois pode ser aparentemente mais fácil fingir que nos esquecemos do que encarar nossos problemas de frente.

Procrastinar é o verbo do momento.

Vamos deixando para dizer tudo que queremos para depois, depois, depois, depois… Mas, em um desses ”deixa para outro dia” veremos que não há mais tempo para postergarmos, pois a nossa vida chegou a seu ponto final e não há mais um próximo ponto, senão a morte.

Aquilo que nos sufoca, que trava nosso riso, que machuca por dentro, tem que ser posto para fora. Diga o que te incomoda, o que te faz feliz, pois assim nada ficará ocupando espaço em seus pensamentos, tirando seu sono. Aliviar-se ainda é a melhor solução.

Mesmo que o desabafo venha acompanhado de sorrisos ou choro, diga, pois senão essa mensagem que carregamos conosco será mais uma carta com desvio na entrega, que nunca alcançará o seu destino.

Não façamos de nossos sentimentos aquela carta que fica presa em uma garrafa e que é atirada ao mar, lançada a sorte de um dia, por acaso, chegar ao destinatário certo.

A possibilidade de sermos apenas um álbum cheio de lembranças, dores e alegrias não compartilhadas é do tamanho do oceano, a perder de vista.

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