A gigante do streaming liberou a quarta temporada de Bojack, a animação adulta que conquistou o público e a crítica.

Bojack é uma série construída em cima do realismo pessimista que a vida pode adotar, e foi exatamente em cima dessa crítica constantemente ácida que os três primeiros anos da série foram paltados. Ao longo dos mais de 36 episódios vimos um personagem complexo cujo passado e a família emocional desestruturados influenciam diretamente na maneira como ele lida com as relações pessoais e a perspectiva de futuro.

O novo ano a série continua com a abordagem pessimista, mas diferente das anteriores se perde em criar uma aplicação ou propósito para as relações desgastadas e os flashbacks que oferecem detalhes ricos do passado. Basicamente temos um Bojack Horseman trilhando uma linha fina entre a responsabilidade e a loucura diária que é a sua vida.

As relações, ponto forte da série também perdem força no novo ano. A mãe, a possível filha e até mesmo a ausência do personagem principal poderiam ser explorados de maneira mais rica, mas o que realmente temos são dramas interessantes pouco desenvolvidos ou que se perdem na intenção de encontrar um propósito.

A construção narrativa ganha força e propósito quando deixa de lado a abordagem direta ao Bojack e aprofunda o passado de sua mãe, revelando detalhe da construção de sua personalidade e até mesmo justificando cada uma de suas atitudes na criação do filho. O roteiro deixa de lado a visão da mulher carrasca e desenvolve uma personagem com traumas e complexos maiores até que o do filho.

O quarto ano de Bojack sem sobra de dúvidas não é o melhor da série, com um roteiro raso e muitas vezes vagos em seu desenvolvimento, mas proporciona ótimos momentos de reflexões, e um episódio que com toda certeza entra para a lista dos melhores já escritos (Viagem no Tempo). Agora é torcer para que a série seja renovada e o gancho para o novo ano deixado seja mais interessante.

⭐⭐⭐⭐

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