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DRAGÕES DE ÉTER – ESTANDARTES DE NÉVOA

Hoje o autor Raphael Draccon deu um presente para todos os seus leitores, em comemoração à 10 anos desde que o primeiro livro da trilogia dragões de éter fora lançado, ele deixou o aviso que está produzindo o quarto livro da saga, intitulado de
DRAGÕES DE ÉTER – ESTANDARTES DE NÉVOA.

E como se a noticia não bastasse, já deixando todos empolgados e eufóricos, ele disponibilizou o prologo e como fã que sou da saga e do autor, que é grande inspiração para mim, deixo aqui com vocês as palavras dele:

[…] no dia de hoje vocês possam ler junto comigo o prólogo desse livro que vocês tanto me cobram diariamente.

É justo que vocês possam sentir que é real esse nosso compromisso.

É justo que vocês possam sentir que Nova Ether continua viva.

Por isso, antes de viajarmos juntos, eu primeiramente queria reforçar: obrigado, semideuses. Obrigado por me trazerem até aqui. Obrigado por mudarem a minha vida.

Obrigado por serem a minha maior fantasia.

Como o seu bardo eu posso apenas lhes prometer a minha melhor narrativa.

Agora peguem a minha mão. Afinal, vocês já sabem como funciona o processo.

Inspirem fundo, sintam as batidas dos seus corações se unindo ao meu e viajem novamente comigo para Nova Ether em um…

E dois…

E três.

 

DRAGÕES DE ÉTER – ESTANDARTES DE NÉVOA

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Dizem que o nome dele significa “mau conselho”.
Talvez isso seja uma invenção depreciativa, pois é normal que o homem comum se vingue de pessoas a ele extraordinárias de formas assim. Dizem que é filho dos pais errados, que se casou com as mulheres incorretas e que tomou as piores decisões. Há diferentes versões de sua origem, de sua paternidade, de seus ideais e de seus motivos. Talvez tenha matado menos homens do que deveria. Talvez mais. Talvez ele tudo tivesse feito acreditando ser o melhor para a própria pátria e toda humanidade afetada por ela, pois existe um fardo nas mãos dos homens que fazem História, que sempre é difícil de ser julgado.
O fato é que muito se diz e muito pouco se tem certeza. Não se sabe exatamente hoje em dia em que local ele está. Que aparência assumiu. Quantos aliados viajam com ele, e mesmo se ainda existe um aliado disposto ao feito. Na verdade, não se sabe mesmo se aquele homem tem aliados. E, se tiver, uma taberna inteira apostaria ainda assim que nenhum seria capaz de admitir isso.
Isolado como um urso, diziam no sul que viajava por caravanas com nomes falsos e roupas maltrapilhas, cheirando pior do que mendigos e gerando reações parecidas com a passagem de um leproso. Já ouvi um bardo manco dizer, entretanto, que um homem com lepra chama muito atenção e um renegado jamais iria querer isso para si. Parece um raciocínio sensato. No norte, costumam dizer que viajava cheirando pior do que orcos, o que convenhamos é mais depreciativo do que a comparação do sul, e que carregava sua armadura consigo e se apresentava como um cavaleiro longe de casa.
Não deixaria de ser uma mentira.
Quando caminhava, costumava fazer em silêncio, como se ninguém quisesse ouvir sua voz. Ou suas explicações. Quando de pé parecia sempre curvado, mas não como uma bruxa corcunda de poucos dentes, mas simplesmente um homem que carregava um mundo nas costas. Quando desembainhava a espada, não parecia diferenciar a frieza com que a embainhava. Quando dormia, precisava ainda assim estar em alerta, como se houvesse sempre alguém pré-disposto a matá-lo.
Muitos já o viram lutar e essas histórias ao menos possuem relações. Porque em todas elas, seja nas versões do sul ou do norte, existiam referências à sua habilidade para matar. Algumas histórias comentam que suas vitórias eram baseadas na experiência, afinal, um homem caçado o tempo inteiro tinha de aprender alguma coisa. Outras insistiam que possuía um estilo sujo como sua índole, e ludibriava os inimigos de maneiras desonrosas.
Essas, porém, não eram as melhores histórias.
Verdadeiras ou não, as melhores narrativas contavam como aquele homem seria hoje o maior cavaleiro em atividade em todo o mundo. Se não fosse, claro, renegado por todas as ordens de cavalaria.
Desenhos de seu rosto, baseados em suposições e relatos incompletos, enfeitavam as paredes de estabelecimentos de regiões diferentes, e variavam a recompensa escrita em letras garrafais. Não importava o valor, contudo, pago por uma coroa real. Todos os valores valiam à pena. Mercenários de muitos lugares o perseguiram. Caçadores de recompensas buscaram não apenas o pagamento pelo trabalho assassino, mas também a fama de concluí-lo. De fato, muitos tentaram o feito.
Ele matou todos.
Atrás de seus caminhos desenhava-se um rastro de sangue que corria como um rio torto. Era um homem cuja passagem vertia lágrimas. Era um espírito condenado à escravidão da própria escuridão ao seu redor. E, quando um homem caminha com muita treva ao redor de si próprio, ele possui apenas dois caminhos: acabar cego ou acostumado. No primeiro caso, ele jamais voltará a enxergar qualquer claridade. No segundo, ele pode se acostumar com o breu e passar a se incomodar com a luz.
Não importa qual caminho ele escolha nesse caso.
Ambos lhe custarão a paz interna.
Logo, era um homem indiferente à guerra ou à paz. Provavelmente o fardo que o perseguia houvesse influenciado isso. As pessoas dirão que não, que era sua índole e que ele merecia padecer em Aramis com os glóbulos oculares arrancados dentro de tigelas de água borbulhando, escutando o gargalhar de bruxas que se divertiam com a desgraça do mundo. Como dito, contudo, é difícil julgar o fardo dos homens que fazem História. Assim como também é difícil condenar a recepção do mundo a esse tipo de fardo.
Mas em uma coisa, não importa em qual lenda, não importa em que cultura ou continente, recaía unanime sobre ele.
Todos o odiavam.

Talvez aquele homem tenha matado mais do que deveria. Talvez menos. Mas um único homem morto por ele fora suficiente para torná-lo o homem mais odiado do mundo.

Porque um dia ele matou Arthur Pendragon.

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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