Textos

Nunca estivemos tão sós

“O mundo hoje é pequeno” é uma das frases mais clichês que existem. Realmente, o mundo hoje é pequeno, no entanto as casas são enormes… Sabemos tudo a respeito de pessoas que moram em outro continente, mas não nos interessamos em saber como foi o dia da pessoa que está a nossa frente na mesa de jantar.
Nos sentamos com nossos notebooks ou celulares, que na verdade são computadores menores, e conversamos com desconhecidos sobre fatos que na verdade nunca ocorreram, sobre fotos montadas, sobre famosos que nunca veremos. Enquanto nossos velhos estão em asilos, pois suas famílias não têm tempo de cuidá-los. Trocamos sorrisos virtuais enquanto nosso coração de carne chora.
Lembro-me quando as pessoas se encontravam para jogar conversa fora, olho no olho, face a face, sob alguma árvore, dividindo uma coca quente e jogando truco. E olha que não sou TÃO velha assim. Nossos conceitos de amizades mudaram com as tecnologias, assim como todo o resto de nossas vidas. Há cada vez menos toque, menos fala, menos beijo…
Estamos mais tecnológicos, rápidos, antenados e… sozinhos… em nossos quartos, acompanhados apenas da modernidade.
As viagens em família não têm mais conversa se cada um possui um celular. As salas de aulas não têm mais livros se contam com televisores. A mesa não tem mais porquê se não for fotografada antes da degustação. A alegria não tem mais sentido se o fotoshop está lá para desenterrá-la e impô-la em cada rosto e momento.
As ruas estão cada vez mais cheias. Ônibus abarrotados de gente. Prédios lotados. E nós, vazios.
Sabemos tudo, do mundo todo, mas nossos filhos se suicidam no quarto ao lado sem nunca termos notado sua angústia.
O mundo está ficando pequeno, e nossas casas cada vez maiores.

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Nasci e cresci em uma cidade bem pequena no interior do Paraná. Sempre gostei muito de ler e ainda muito pequena comecei a escrever minhas próprias histórias. O gênero que mais gosto de escrever é fantasia, inclusive tenho dois livros publicados com essa temática, um romance ‘Sete dias de Lázaro’ e um livro de contos ‘Contos de Quase Fadas’. Minha mente é povoada por inúmeros seres fantásticos, mas o meu preferido são os dragões. Escrever para o blog “Saco Cheio e Mau Humor” está sendo uma experiência ótima. Ter um canal para externar algumas das minhas inúmeras ideias que se acumulam dentro de mim. Abro meu mundo para vocês. Sejam bem vindos!

1 comentário em “Nunca estivemos tão sós

  1. Triste, real e revolucionária época.

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