Açoita meu corpo

Desça os seus chicotes sobre meu lombo

Se meu povo resistiu as dores das feridas eu sobreviverei

 

O sangue da resistência corre pelas minhas veias

Minha pele negra resplandece na luz

Minha pele negra é escudo

Minha pele negra é resistência

 

Sinta o impacta

Caia de joelhos diante da inversão

O opressor aos pés do oprimido

A história se reinventa

O quilombo expandiu

Os negros invadiram a faculdade

Os pretos tomaram o mercado de trabalho

Os criolos subiram nos montes

Em cada esfera é possível ver o reflexo da escura cor

 

Os anos se passam

Nas corredeiras de Chronos as dores se esvaíram

Não existem cavernas com desenhos

A história está marcada no corpo

Cada traço

Cada machucado

Cada dor

Cada sofrimento

Torna se uma linha forte e grossa que define um destino

 

As cartomantes pegam na cálida mão de um negro

Não existe o que prever

Não existe sorte

Existe o futuro trilhado por luta

O amanhã é fruto do sexo selvagem entre a resistência e as lágrimas

Não levanto minha foice

Não levanto minhas mãos

Projeto minha voz e declaro meu amor pela minha história

Digo ao muno que sou negro

E me orgulho por negro ser.

 

 

 

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