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Jogo Perigoso, filme – Crítica

Esse é o ano do Stephen King, depois de A torre Negra, It a coisa, temos mais uma adaptação de sua obra, Jogo perigoso ou no original, Gerald’s game.

Adaptar uma obra do mestre do terror é um trabalho difícil, estamos falando de um dos autores mais cultuados e premiados da história, com uma legião de fãs que esperam que cada detalhe da narrativa original seja mantida. Em jogo perigoso podemos dizer que eles estarão felizes, pois a essência de trilher psicológico é preservada.

Uma das maiores dificuldades em adaptar uma obra do Stephen King para o cinema e a complexidade das histórias, Jogo perigoso está a um patamar acima nesse desafio. A obra é cheia de belas alegorias e críticas a maneira como a sociedade constrói e corrompe seus relacionamentos, e principalmente, a cultura do silêncio imposta sobre as pessoas. Não fale, não pense, não sinta …. Simplesmente permita.

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(Foto reprodução) 

O monstro dessa vez não é um palhaço, uma bruxa ou qualquer outro, mas nós mesmos, mais precisamente, o terror psicológico que guardamos no mais profundo de nossa mente, os cadáveres mentais que não expomos para ninguém.

Somos frutos do que passamos no decorrer de nossas vidas? No final quando nos depararmos com o escuro, sem a oportunidade de correr e sermos obrigados a encarar quem realmente nos tornamos, descobriremos que somos os nossos maiores traumas? Jogo perigoso não é um filme sobre morte, tortura ou qualquer outro medo pré-concebido que temos, mas um discurso em sua maioria silencioso, sobre quem nos tornamos.

O diretor Mike Flanagan (O Espelho, O Sono da Morte, Hush: A Morte Ouve) demonstra todo o seu domínio sobre a história e os sentimentos que os personagens devem transmitir para o espectador, essa sinergia é desenvolvida em planos próximos em movimentos, carregados de uma energia claustrofóbica e tensa.

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(Foto reprodução)

 

A maneira como a câmera se movimenta nos primeiros momentos do casal no ambiente, diz muito sobre como o diretor pretende desenvolver o filme. O foco não é o meio, e muitas vezes até a situação é esquecida, o ponto da obra se desenvolve na maneira como a personagem lida com a situação, e o simples fato dela não lidar, torna-se um recurso narrativo rico.

Se o roteiro disponibiliza uma ótima construção narrativa e de personagem, a excelente Carla Gugino que interpreta Jessie Burlingame não desperdiça a oportunidade de entregar uma atuação profunda, realista e cheio de trejeitos sutis que dão camadas a personagem.

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(Foto reprodução)

Bruce Greenwood interpreta Gerald, o marido de Jessie. O ator entrega uma atuação a altura da parceira, a energia entre eles é viva. A boa atuação de Bruce é o fio condutor para que várias tramas secundárias sejam bem desenvolvidas.

Jogo perigoso é uma excelente adaptação de uma das obras favoritas dos fãs do mestre do terror. Um roteiro bem alinhado, atuações excelentes e uma direção impecável, sem sombra de dúvida merece um lugar no pódio ao lado de IT, a coisa como uma das melhores adaptações dos livros de Stephen King.

🌟🌟🌟🌟🌟 – Excelente

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Sou um mero aspirante a poeta, filosofo e escritor. Tenho 21 anos e moro na cidade do Gama. Costumo dizer que não domino o "segredo" da exímia escrita, mas vivo para escrever, e escrevo para viver. Torno cada palavra escrita e dita um motivo para acordar, um sonho para realizar e como força para respirar. Não escrevo um só gênero, porque acho que ainda não encontrei um que me defina, ou nunca encontrarei, talvez no final eu seja um transeunte entre gêneros, cujo o objetivo seja transmitir uma mensagem, seja ela, escrita ou falada.

2 comentários em “Jogo Perigoso, filme – Crítica

  1. Meu que filme foda da porra !

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