Rick and Morty nunca prometeu ser uma série comum com piadas leves e dramas rasos, muito pelo contrário, cada episódio é construído sobre piadas niilista, uma visão negativa/pessimista e críticas sutil ou não sobre a sociedade moderna.  No novo ano esses elementos foram mantidos, com um acréscimo de subtramas complexas para os personagens antes pouco explorados.

A terceira temporada é sem sombra de dúvidas uma das melhores e mais engenhosas, e o ponto que leva a tal colocação é simples, não existe somente Rick e Morty no roteiro. Cada personagem ganha um momento e muitos até um episódio para chamar de seu, e é nesses trechos que temos a percepção do todo, que ninguém é realmente quem diz ser, todos tem um passado que precisa ser questionado, pois são flash desses momentos que constroem a personalidade.

A série inicia sua terceira temporada com a laboriosa missão de construir uma narrativa contundente e esclarecedora o bastante para resolver o gancho deixado no ano anterior e introduzir novos mistérios a trama.  Logo nos primeiros minutos do episódio somos contextualizados sobre as consequências que as ações supostamente altruístas de Rick trouxeram para ele, e o principal, um trecho do passado do personagem é apresentado, levando a um esclarecimento maior sobre como a dinâmica entre os Rick’s funciona.

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(Foto: Reprodução –  The Rickshank Rickdemption).

A sinergia entre os elementos narrativos ganha peso. A relação entre a família é destacada e finalmente pudemos ver Beth brilhar, mostrando que não é a clássica filha abandonada que sofre constantemente pelo pai e aceita o relacionamento muitas vezes abusivo como normal, mas uma personagem complexa, construída em cima de uma dualidade gigantesca que a faz questionar se ser uma mãe é realmente o ponto alto de sua vida.

Relacionamentos já desgastados sofrem mais abalos e pudemos ver o submisso Morty se revoltar e questionar decisões tomadas pelo egocêntrico Rick. A jornada de aperfeiçoamento e crescimento psicológico do personagem é impecável, e evidencia que por maior ou mais genial que o opressor possa ser, a inversão é possível.

O plano de fundo da série é bem construído e questionamentos levantados na primeira temporada sobre o Evil Morty ganham peso e um desenvolvimento surpreendente, e abrem espaço para que novos elementos sejam inseridos na história.

 

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(Foto: Reprodução –  Ricklantis Mixup).

No sétimo episódio, The Ricklantis Mixup temos a cidadela dos Rick em processo de reconstrução e em meio a esse caos acompanhamos a eleição para novo presidente e surpreendendo a todos, um Morty concorre ao cargo. No mesmo episódio temos a percepção de que em uma sociedade em que todos são excentricamente geniais, tudo é convertido em normalidade, e muitos Rick’s acatam ordens e são subjugados a trabalhos que exigem pouco do seu intelecto, tornando suas vidas um grande desperdício de genialidade e fôlego (conseguiu se identificar).

Visualmente a série pouco evoluiu, continuou a fazer o belo trabalho de animação e construção de mundo, sem dispor de momentos visuais que mereçam destaques.

A drama não linear também brilha com episódios cheio de referências que passam por Stephen King, Mc Donalds, Mad Max e muito mais, deixando a série rica e criando um vinculo com os amantes de referencias a cultura pop.

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(Foto: Reprodução – Rickmancing the Stone).

O terceiro ano é um prato cheio para os fãs que adoram levantar teorias e discussões sobre as decisões que os criadores pretendem tomar, afinal, vários episódios deram espaço para que subtramas ainda mais complexas sejam assimiladas pelo roteiro, e o principal, cada personagem agora tem fôlego para viver seu próprio arco narrativo.

Rick and Morty continua sendo uma das séries mais surpreendentes do adult swin, e vale a pena ser vislumbrada e discutida em uma roda de amigos que adoram uma boa teoria.

🌟🌟🌟🌟🌟 – Excelente

 

 

 

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