Relacionamento, base vital para construção de uma sociedade. A maneira como interagirmos com as pessoas, e nossos parentes constroem boa parte de quem somos. Nosso senso de moralidade, ética e valores sociais, a maioria é introduzida pelo primeiro contato no relacionamento interno familiar.

Você deve estar se perguntando, porque a crítica de Pânico (Scream – 1996) inicia-se com uma introdução sobre relacionamentos? E a resposta é simples, o filme é um grande e laborioso ensaio sobre como a ausência e as falhas morais da maternidade e paternidade afetam quem seremos no futuro.

A trama acompanha Sidney (Neve Campbell) uma jovem traumatizada pela morte sanguinolenta e violenta da mãe. Um ano após o ocorrido, uma jovem é assassinada brutalmente, e vários jovens da cidade começam a receber telefonemas ameaçadores, inclusive Sidney.

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(Foto: Reprodução)

Pânico foi uma revolução no cenário dos filmes de terror da década de 90. O gênero vinha perdendo espaço nas salas escuras depois das continuações risíveis de “Halloween”, “Sexta-feira 13” e “A hora do pesadelo”, todos com fraca bilheteria e críticas pífias dos críticos.

A saga de Sidney agradou ao público e parte da crítica especializada. Esse sucesso está diretamente ligado a direção magistral do grande Wes Craven ( A hora do pesadelo) e o roteiro afiado, complexo, porém sutil de Kevin Williamson.

O roteiro é diferente de tudo que já tinha sido produzido, a trama faz referências a filmes clássicos e ao mesmo tempo brinca e subverte clichês do gênero. É interessante como o filme levanta as “regras dos filmes de terror”, enaltece cada uma delas para no final subvertê-las a vontade e necessidade da trama principal.

Os diálogos e os personagens são bem desenvolvidos. Cada morte tem um significado para trama, o roteiro não prega a carnificina gratuita, cada detalhe faz parte de uma construção maior, isso vai desde a cena de abertura com a  Drew Barrymore  ao ato final do filme.

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(Foto: Reprodução)

É interessante a maneira como a narrativa é desenvolvida, os assassinatos estão em pauta e guiam a trama, mas paralelo a isso, e com muito peso está a relação entre os personagens, e as consequências dos erros cometidos pelo pais sobre cada um deles. A figura ausente e promíscua de Sidney, o pai adultero de Billy, e como o divórcio o afetou. Pânico constrói nas entre linhas uma valiosa reflexão sobre como os relacionamentos familiares nos modelam no transcorrer da vida.

Se o roteiro oferece diálogos sagazes, o cast não desperdiça. Todo o elenco está afiado, demonstra domínio do personagem, e consegue transmitir a dualidade pertinente a cada um deles. Aqui o clichê e o estereótipo, são aproveitados e introduzidos na construção de personagem.

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(Foto: Reprodução)

 

Wes Craven demonstra que nasceu para dirigir pânico, o diretor conduz a narrativa com agilidade, sem nunca deixar que detalhes importantes passem batidos. As cenas de morte são bem ensaiadas, e principalmente, enquadradas, os detalhes são exibidos, mas sem nunca deixar o espectador enojado.

Pânico é uma experiência que vale a pena ser desfrutada. Seja pelo roteiro inventivo e encharcado de boas piadas e diálogos magníficos, ou porque simplesmente deseja ver um assassino correndo atrás de jovens no final da puberdade com hormônios a flor da pele.

 

 

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