Stranger Thing, 2 Temporada – Crítica

Os irmãos Duffer tiveram o maior desafio de sua carreira até agora, responder questões abertas, iniciar novas tramas e saciar a necessidade nostálgica dos amantes de Stranger Things.

Depois da repercussão gigantesca da série no ano passado, era notável que uma pressão gigantesca estava sobre os criadores da série. O segundo ano deveria ter os mesmos detalhes que deixaram os espectadores grudados na frente da tv, e ainda os saciar com novas tramas. Depois de 9h maratonando a segunda temporada, a conclusão que cheguei é que eles conseguiram levar a série para um novo patamar.

Diferente do ano anterior em que a maioria das cenas eram construídas em grupo, ou seja, todos os personagens estavam sempre interagindo e na maior parte do tempo todos tinham o mesmo nível de conhecimento, no novo ano temos subtramas bem desenvolvidas, que levam cada personagem em uma jornada de descobertas.

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(Foto: Reprodução)

O Roteiro é extremamente rápido, as cenas são bem construídas, as subtramas apresentadas, tudo é introduzido rapidamente, entretanto, os diretores deixam tempo para esmiuçar as características de cada personagem, e as mudanças que os norteiam.

É notável que os diretores têm um certo senso de urgência em transmitir para o telespectador que as crianças estão crescendo, que a adolescência está chegando, e principalmente, que elas evoluíram no espaço de um ano, e essas demonstração está expressa em trechos de diálogos logo no início do primeiro episódio. Dustin (Gaten Matarazzo) xingando em diversos momentos, Mike (Finn Wolfhard) com problemas na escola, Lucas (Caleb Mclaughlin) tentando conquistar a garota nova da cidade, e finalmente Eleven ( Millie Bobby Brown) enfrentando um pseudo relacionamento paterno com o xerife (David Harbour), todos estão mudando, e principalmente, descobrindo detalhes de sua personalidade ainda desconhecidos.

A estrutura narrativa funciona como um filme de 9h, muitas vezes você tem a sensação de estar em um cinema assistindo a um grande filme com pausas para o comercial, e a estratégia funciona com maestria. Nos três primeiros episódios temos a introdução do novo vilão e esclarecimento sobre questões deixadas em aberto, no segundo ato temos a inserção da problemática, e suas consequências na história, e no terceiro e último ato, temos a clássica virada, a resolução dos problemas, e obviamente o gancho para o próximo ano.

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(Foto: Reprodução)

Por optar por separar os personagens e introduzi-los em subtramas paralelas, os diretores conseguiram expandir o universo e deixá-lo mais rico, e consequentemente deixar os personagens coadjuvante mais interessantes. Nancy (Natalia Dyer) em sua jornada de justiça por Barbara (Shannon Purser) ganha personalidade e complexidade.

A atuação como um todo da série é excelente, cada ator entrega uma atuação exímia, e a sinergia em cena de cada um deles é praticamente palpável. Se no primeiro ano Millie foi a grande revelação com sua personagem, a nova temporada tem como destaque Noah Schnapp, o interprete do Will, tem uma atuação primorosa, transitando facilmente entre o garoto em busca de independência, e principalmente, superar o que aconteceu no mundo invertido, e o drama de ainda ver e sentir o que está acontecendo no outro mundo.

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(Foto: Reprodução)

A fotografia é de uma sensibilidade que raramente é vista em séries, nos momentos de tensão a câmera opta por pegar detalhes que o espectador não espera, como a nuca de Will, e a maneira como seus músculos se enrijecem quando está com medo. As cenas a noite são bem iluminadas, é interessante até notar como a direção de fotografia insere elementos como a neblina para dar contraste e facilitar a interpretação do espectador nas cenas que estão acontecendo.

Com o sucesso vem o dinheiro, e isso é visível na construção de mundo. O CGI é bem construído, desde os cenários assustadores do mundo invertido, até os monstros, é notável a evolução. Tudo tem mais textura e mais fluidez.

Strange Things é sem sombra de dúvidas uma das maiores apostas da Netflix, e uma bem assertiva, não só pelo sucesso comercial, mas pela exímia construção narrativa e de universo.

🌟🌟🌟🌟🌟

 

 

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Autor: Rodrigo Moura

Sou um mero aspirante a poeta, filosofo e escritor. Tenho 21 anos e moro na cidade do Gama. Costumo dizer que não domino o "segredo" da exímia escrita, mas vivo para escrever, e escrevo para viver. Torno cada palavra escrita e dita um motivo para acordar, um sonho para realizar e como força para respirar. Não escrevo um só gênero, porque acho que ainda não encontrei um que me defina, ou nunca encontrarei, talvez no final eu seja um transeunte entre gêneros, cujo o objetivo seja transmitir uma mensagem, seja ela, escrita ou falada.

2 comentários em “Stranger Thing, 2 Temporada – Crítica”

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