Corre, corre, o mais rápido que suas pernas podem aguentar, já se passa das 19h, e ele está virando esquinas ofegando, sem parar de correr. Seus pulmões já estão chiando, a mais de duas quadras, porem sua vida depende dessa corrida, suas pernas precisam aguentar, não podem ceder, seu coração parece o marca-passos do diabo, sentenciando-o ao inferno se não conseguir.
– Só mais um pouco, diz para si mesmo.
Ele já avistou a porta logo no final da rua, e na janela ele vê a silhueta de uma mulher, pondo a mesa do jantar, triste, parece tão solitária, ao ver aquela imagem, seu semblante muda, ele já não corre mais, apenas caminha o mais rápido possível sem chamar a atenção.
Chegando a casa, ele abre a porta devagar para que a mulher não perceba a sua movimentação, tudo depende disso.
– Que descuido essa porta destrancada, pensa ele.
Vai se espreitando por de trás das paredes, se encaminhando até a mulher.
No momento que ela, vira e o vê, seu espanto é visível e antes que ela grite, pelo susto, ele tira as mãos das costas puxando seu buque de flores e entrega a ela…
– Achou mesmo que esqueceria do nosso aniversário de casamento querida?