Suas mães estão bêbadas as duas da manhã.
Suas mães estão saindo com caras mais novos.
Suas mães estão comendo lixo.
Suas mães esperam na entrada do colégio.
A maquiagem borrada.
O batom vermelho forte.
O vestido rasgado.
O olho roxo.
Suas mães estão bêbadas, bebem para esquecer.
Suas mães apanharam novamente, e novamente, e novamente.
Suas mães perderam um dente e foram estupradas pelos maridos.
Suas mães ligaram para a polícia, e eles chegaram as duas da manhã.
Vai passar na televisão.
O seu pai preso.
Sua mãe na esquina.
Os vizinhos comentam.
Suas mães não tem dinheiro, também não pode trabalhar.
Suas mães tem mais um filho, mais uma filha, tem sua própria mãe.
Suas mães sangraram até a morte, morreram de velhice ou viram os filhos morrerem.
Suas mães compraram celulares que não podem pagar.
Calças Jeans caras.
Perfumes Jequiti.
Sushi do shopping.
Uber.
Suas mães se sentem solitárias.
Suas mães não sabem o que pensar.
Suas mães não conseguem dormir, não conseguem acordar.
Suas mães sentem uma forte dor, a dor forte anuncia a partida.
Não sobrará cinzas, não sobrará memórias.
Todo filho tem uma mãe.
Todo filho perderá uma mãe.
Todo mundo vai ser órfão um dia.

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