dezembro 20, 2017

Modo Repeat

Cinco e quarenta e cinco da manhã, o smartphone desperta. Seus olhos se abrem, a luz que bate em sua retina incômoda e ela dá algumas piscadelas para dar tempo de seus olhos se acostumarem com a luz ambiente.
Ela tateia a mesinha ao lado da cama a procura do smartphone, e desliza o dedo para opção soneca que te da direito a mais cinco minutos de sono. No mesmo instante volta a dormir.

E instantaneamente o despertador do smarphone volta a tocar, é incrível que quando você está com sono, todo o tempo do mundo parece não bastar.
Ela finalmente se da por vencida e acorda, precisa fazer tudo de maneira rápida, pois já está atrasada, todos parecem fazer isso de manhã, como se fosse o ritual da civilização humana, acordar com pressa e ter de ir trabalhar, o pior é quando o ônibus quebra no caminho e ela precisa caminhar um pouco mais de um quilômetro até chegar ao trem.

Depois de ficar alguns malditos minutos sendo amassada como uma sardinha, e não sei se você já notou, parece que quando você está em uma situação de bosta você ganha mais tempo para ficar na merda, enfim,  finalmente ela chega a sua estação depois de atravessar à cidade em um pouco mais de duas horas, mas já é oito fucking horas da manhã e ela precisa caminhar mais cinco minutos até chegar no trabalho e ouvir os primeiros sermões do dia, por que se atrasar cinco minutos é uma irresponsabilidade e você precisa acordar mais cedo, foda-se se você mora longe,  não me importo se você vai amassada, não quero saber se seu trem estava com velocidade reduzida, quem precisa desse trabalho é você, deveria ser mais grata e blábláblá.

Depois dessa dose cavalar de filhadaputagem, começa o expediente de trabalho, não importa muito o que ela faz, o importante é fazer e deixar pronto, ela não quer se envolver muito com essas coisas, possivelmente vai dar b.o e ela não precisa de mais nenhum, deixa isso para os outros.
Vai para o seu horário de almoço feliz porque esse é momento sagrado do seu dia, tira a marmita da bolsa e esquenta.

– Comida requentada nunca é tão saborosa quanto a feita na hora. – pensa em voz alta e a sua colega de trabalho concorda com a cabeça, como se estivesse prestando atenção, mas ela sabe que a colega não tá, só quer parecer simpática.

Já reparou que quando estamos fazendo algo que gostamos o tempo voa e enquanto estamos nos fudendo parece que alguém aperta o slow motion da vida?
É foda, ela tem de bater o cartão de ponto e voltar ao trabalho, o bom que ela marcou um encontro à noite, por um desses app de relacionamento e pelo menos vai ter alguém para conversar um pouquinho.

– Alô, é então… que nem eu falei no whats não vou poder ir, preciso ficar até mais tarde no trabalho. – Disse o Rapaz com quem ela iria sair.

– Beleza, a gente tenta um outro dia. – Ela disse com a certeza de que isso não iria acontecer.

Ambos sabiam que não teriam um outro dia!
Deu dezoito horas, que é hora de ir para casa, de atravessar a cidade, de ser amassada no trem, no ônibus e finalmente chegar em casa, claramente destruída, cansada e cheia de fome, mas ela mora sozinha, então não vai chegar e encontrar a comida feita, ela tem de fazer e, já aproveitar para preparar a marmita para o dia seguinte.

Cinco e quarenta e cinco da manhã, o despertador do smartphone toca, os dedos dela tateiam a mesinha e ao encontrar o celular desliza a opção para soneca.

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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