Textos

Desvaneios no coletivo

Rostos desgastados e cansados, semblantes dizendo claramente:

Me tira daqui!

Vejo alguns ouvindo músicas em seus fones de ouvido, enquanto outros observam a paisagem da quebrada com as cabeças encostadas no vidro, eles enxergam pichações, muros escondendo suas coisas valiosas, trânsito, cachorros de rua e pessoas, fora alguns alcoólatras que já estão ziguezagueando retornando as suas casas, após passarem a noite fugindo delas e, pontos de ônibus que estão abarrotados de outros seres que parecem mais exaustos e infelizes dos que os que já estão aqui dentro.

Anestesiadas, acho que é essa a palavra certa para descreve-las, pois ou não tem noção da situação que se encontram ou tem mais estão inertes, com o estimulo de que precisam levar comida para casa. Penso em quais são suas motivações para enfrentarem esse cotidiano.

Sempre chego a mesma conclusão: Eu não sei, posso imaginar e citar alguns como família, filhos, boletos e ou aluguel.

E tantas outras coisas que servem para sobreviver e ou tentar enxerga algum significado, fora as motivações estúpidas de que achamos que precisamos e na verdade nem são tão necessárias assim, e ai nós nos matamos de trabalhar para adquirir essas coisas das quais não precisamos, Tyler Duree já falou disso em clube da luta: Você não é sua conta bancária, não é o dinheiro que ganha e ou as coisas que tem!

Então é raro ver alguém com um livro, mas da para entender também, pois as pessoas que estão em pé, estão tão espremidas que parecem uma lata de sardinha, tão cansadas que só querem sair dali, e as que estão sentadas, foram as que tiveram pique de acordar um pouco mais cedo e aguardar em filas quilométricas, elas estão realmente cansadas, querem dormir e descansar. O pior que o dia está apenas começando, há quanto tempo o dia delas começa assim?

Quem pensa nisso? é eu penso, às vezes me pego refletindo se desses vinte e poucos anos que já passei aqui, quantos mais vou ter de passar, não quero mais passar por isso, queria mesmo que ninguém tivesse que passar, mas as vezes penso o trajeto inteiro, e sempre me questiono será que faz tanto tempo, que elas já se acostumaram? Suas esperanças acabaram? Ou somente aceitaram?

 

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Sobre Thiago D.

Minha maior arte é a forma que eu vejo o mundo e as coisas que acontecem ao meu redor, tenho uma empatia muito grande, entendo como as coisas estão acontecendo ou devem acontecer e isso ajuda na minha percepção para fazer sistemas, estruturar raciocínios lógicos e a construir textos, contos e afins. Busco colocar em palavras os mais diversos sentimentos e sensações, o que escrevo não é autobiográfico, eu chamo de usar a vida como matéria prima. Meu jeito de escrever é esse, e se me perguntarem isso é ficção? Ou não é ficção? – Está no papel(no caso, tá no blog), aconteceu ou não, é ficção.

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