Quantas vezes passei o dia ouvindo Under the Bridge no repeat achando que ao contrário da letra, nem a cidade era minha amiga.

Quantos pós trabalho tudo que fazia era caminhar na av. paulista vendo as pessoas passarem apressadas para encontrar seus destinos, enquanto eu caminhava devagar, sem pressa nenhuma, pois, não tinha destino algum para ir.

Apenas acendia um cigarro após o outro, o máximo de trajetória que existia ali era a da nicotina entrando em meus pulmões.

O mundo passava cinza, talvez nublado demais para eu conseguir enxergar alguma coisa de fato.

E eu pensava em como a vida é uma prisão de angústias intermináveis.

Não que não possamos sentir alegria, mas alegria e felicidade são momentos, são passagens rápidas. A felicidade é sempre uma ausência da dor, como diria o filósofo Schopenhauer. Ou como cantava nosso querido Vinicius de Moraes:

Tristeza não tem fim, felicidade sim.

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