Os escrotos são a força vital do mundo.

Lá nas profundezas das ruas escuras, lá na desordem e no caos de uma quase sexta-feira, lá nas fomes das prostitutas sujas e das crianças sem mãe. Alguns carros ignoram a paisagem vertical, alguns carros querem apenas manter o seu frio interior recriado por um potente ar-condicionado de fábrica.

Meus filhos irão sucumbir a força pélvica de um sistema derrotista.

Sujos de graxa, semeados na segunda década do século XXI. Talvez eles se tornem escritores tão grandes quanto Kafka e Kerouac, mesmo nesta era onde os livros se tornaram apenas decorações. Talvez ainda poderão ver uma guerra destrutiva e bela, poderão ver os primeiros artefatos nucleares do novo milênio.

Talvez eles possam ser os próximos mortos por inanição, legado dos escrotos do mundo.

A chuva que cairá será a mesma aqui, ali, em qualquer lugar. Os analfabetos escreverão as próximas leis, os ignorantes serão os próximos líderes mundiais. Mudos como os melhores cantores, imbecis escreverão suas letras, idiotas os idolatrarão. Massas e massas de pessoas escrotas adotando políticos e balançando bandeiras por eles. Massas e massas de imbecis brigando, urrando e sangrando por reis inomináveis da boçalidade. Dobrando esquinas, espancando mendigos.

São as engrenagens do mundo, o motor que move a mãe natureza, os deuses que nos dão energia em todos os domingos.

As milhares de garrafas de vinho barato produzidas por máquinas ignorantes.

O mundo é uma longa sarjeta.

 

Anúncios