A mina é gostosa e quer mostrar isso pro mundo, o que não tem problema nenhum. Mas aí ela posta uma foto e fala que tá feia. E quando as pessoas falam o contrário, que é o que ela quer ouvir, ela continua negando. Ela não é exibida, é humilde.

Ela é gostosa e gosta de ser gostosa: Se mata na academia todos os dias, faz dieta e gasta milhares de dinheiros com roupas e produtos de beleza, mas fala que é “só por saúde”. Ela prefere ficar gripada à tomar remédio pra gripe por que o remédio engorda. Ela não vaidosa, é saudável.

A pessoa não quer repartir sua comida, mas ela oferece por educação esperando que a outra pessoa recuse por educação. Se a primeira não oferecer ou a segunda não recusar, pode rolar um pequeno “clima”. Parece com as pessoas no metrô, uma oferecendo o assento para a outra quando na verdade as duas queriam estar sentadas, mas as duas sentem vergonha de admitir isso.

As pessoas perguntam se está tudo bem com você, esperando que você responda que sim (e não a verdade) e que também pergunte como a pessoa está, o que você faz (mesmo não se importando de verdade) e espera que ela também diga que sim para que não percam muito tempo. Talvez nenhuma dessas pessoas realmente queiram fazer isso todos os dias. Eu não quero? Você quer? Mas por algum motivo, todas elas simplesmente continuam fazendo. É como aquelas histórias da mulher que odiava cozinhar mas fez por sessenta anos o bolo de carne favorito do marido pro almoço quando na verdade ele odiava aquele bolo e só comia por educação.

A pessoa quer um presente específico, mas ela não pode simplesmente pedir para o parceiro comprar. Ela precisa deixar dicas sutis e esperar que o outro adivinhe o que ela está querendo dizer com isso. Ela quer muito isso. Se o outro não acertar ou não entender isso, ela vai ficar muito chateada. Mas ela vai agir como se não se importasse, e se você acertar o que era, vai dizer “não precisava”.

E no fundo essa pessoa sabe que não precisava mesmo, que o fato da outra pessoa ter acertado ou não, lembrado ou não, não significa que ela a ama menos. Mas ela faz esse teatro mesmo assim. Então não precisava, mas ela finge que precisava pra dizer “não precisava”? É tipo um inception irritante de quer-não-quer. E tudo isso pra quê?

Por que as pessoas não podem ser simplesmente honestas consigo mesmas e com as outras sobre seus desejos? Por que a mina não pode admitir “eu postei essa foto minha na praia com os peitos de fora pra mostrar que eu sou gostosa”. Não, ela tem que falar que era pra mostrar o pôr-do-sol, e aí ela bota um poema ou um frase do Platão na descrição pro povo não achar ela muito vagabunda.

Ou quem sabe dizer “eu não gosto de dividir minhas coisas com os outros, ok?”, “eu realmente não me importo sobre como foi o seu dia”,  “eu iria gostar muito que você me surpreendesse com alguma coisa no meu aniversário, mas se você não conseguir pensar em nada, tem tal coisa que eu estava querendo comprar”.

Por que isso evitaria tantos problemas. Mas não, as pessoas precisam de drama na vida delas, não basta ter novelas e Netflix para assistir.

E o insano, o mais insano de tudo isso, é que mesmo que muitos de vocês talvez concordem com várias das coisas que eu disse aqui, sempre que qualquer pessoa do cenário resolve não seguir esse roteiro, é como se houvesse uma perturbação na força. “Exibida”, “vagabunda”, “egoísta”, “antisocial”, “fresco”.

Será que um pouco de honestidade te torna realmente tão babaca assim mesmo?

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