Crônicas

Solitary Man

A primeira garota com quem eu fiquei era dois anos mais nova que eu. Foi no meu aniversário de dezoito anos. Eu a beijei e ela me mostrou as inúmeras cicatrizes de cortes auto-infligidos em seus braços. Uns dias depois ela me disse que havia sido abusada por um tio. Mais uns dias depois ela me bloqueou de todas as redes sociais e parou de atender minhas ligações.

No ano seguinte eu finalmente beijei uma mulher com quem havia ficado num jogo de vai-não-vai durante um ano inteiro. Ela era 10 anos mais velha, e era advogada. Era meio pirada também: Dizia coisas e depois voltava atrás e dizia que não havia dito, mesmo que o registro das conversas provassem o contrário. Convivemos até o final da faculdade entre tapas e… Amizade, até que depois de uma briga por causa do feminismo dela, ela parou de falar comigo.

Na semana seguinte à qual eu beijei a tal advogada, eu fiquei com aquela que viria a ser minha segunda namorada. Esta me contou sobre alguns problemas que tinha com seus pais, que eram psiquiatras, e que também já havia tentado se matar. Ela terminou comigo depois de brigar com o pai no seu aniversário, entrar numa crise depressiva e se trancar no quarto, enchendo o rabo de rivotril pra esquecer da vida.

Um tempo depois namorei uma amiga nossa. Essa era diferente. Era borderline. Pra variar, também já havia tentado se matar algumas vezes. Me acusou de ser possessivo e tentar afastá-la de seus amigos e familiares e terminou comigo.

Depois disso eu dei um beijo triplo com duas garotas e acabei ficando um tempo com uma delas. Acontece que ela namorava. Nós precisávamos que a amiga dela nos acobertasse no cinema, então ela nos obrigou a assistir um filme de romance bosta que ela queria. Nós transamos alguns dias depois, mas não valeu a pena. Eu disse a ela que a achava legal, mas que não me sentia atraído por ela. Ela me chamou de porco, disse que eu só queria comê-la e que todos os homens são iguais. E parou de falar comigo.

O ano seguinte foi o primeiro que namorei uma mulher que não tinha algum transtorno psiquiátrico. Longe disso. Estudante de medicina, ex-modelo, atleta e vegan. Ela era tudo o que eu não era, e eu a admirava por isso. Mas morava na puta que o pariu. Nos encontramos durante uma semana, antes de ela voltar para a terra dela. Então com o tempo, o fogo apagou e voltamos a ser apenas amigos.

Depois disso as próximas mulheres que me beijaram foram a namorada do vocalista da minha banda na época e uma amiga dela, numa noite louca onde ela queria causar ciúme nele e estava quase gerindo um bacanal no local: Homem com mulher, mulher com mulher, tudo isso antes de começarmos a tocar. Eu não as conheci o suficiente para saber se tinham algum transtorno ou não, mas sabia que uma delas tinha uma filha.

Olha, depois de passar por tudo isso você começa a se questionar se esse negócio vale realmente a pena, sabe? Vai ver esse é um problema meu, tenho o dedo podre ou fui amaldiçoado, mas esse lance de relacionamento nunca deu muito certo pra mim.

É quase como a letra do Johnny:

Don’t know that I will but until I can find me
A girl who’ll stay and won’t play games behind me
I’ll be what I am: A solitary man

Talvez eu componha algo sobre isso mais tarde.

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Conatus: Substantivo. Latim para esforço; impulso, inclinação, tendência; cometimento. É um termo usado em filosofias de psicologia e metafísica para se referir a uma inclinação inata de uma coisa para continuar a existir e se aprimorar. Outros autores a chamaram de Vontade, Desejo, Pulsão, Elan Vital, a essência inconsciente que dirige suas ações para satisfazê-la quer você queira ou não. David Conatus, no entanto, não é um substantivo. É um verbo, uma ação, a ação de exorcizar em palavras minha visão da existência e do mundo, e de talvez conseguir um pouco de paz ao fazer isso. Já quanto a paz de vocês, leitores, isso eu não posso garantir. Prossigam por sua conta e risco.

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