– Você sempre escreve sobre as suas fodas, não tem mais nenhum assunto? – ela lia meus originais que eu fazia o favor de imprimir, só por uma questão de beleza. O texto impresso trás uma magia ímpar neste mundo onde nada mais é físico, muito menos os relacionamentos – você deveria falar sobre a natureza, as coisas belas da vida, o amor.

– Eu falo sobre o amor, em alguma parte por aí eu devo falar sobre minhas decepções e a parte engraçada do Freud se apaixonar pela própria mãe – ela respira fundo. Larga meus textos como os pedaços de lixo, que realmente são, e se deita na cama.

– Eu te acho o escritor mais frustrado que conheci – ela diz entre um risinho e outro – não acredito que um editor com consciência no lugar um dia te publicaria. Você só fala deputaria, depressão, bebedeiras, tristeza, e boceta.

– Também falo de amor, e como liquidificadores me irritam.

– Quando conversa com meus amigos, vive falando de filmes que ninguém assistiu, vive comparando detalhes que ninguém vê. Outro dia cismou que o taxista não era bom porque ele não centralizou a plaquinha “taxi” no capô.

– Curioso que esse meu detalhismo salvou o rabo de vocês de um assalto. Não me culpe porque seus amigos não gostam de filmes em preto e branco.

– Eles te acham reacionário.

– Eles acham que o mundo vai acabar se uma mulher fizer um comercial de cerveja. Suas outras amigas feministas acreditam que farão o mundo melhor se o deixarem mais peludo. Não os critico, só dou risada.

– Você é muito insensível! – ela fecha a cara.

– Você acha isso insensível? – eu submerjo entre suas pernas finas e brancas. Ela sempre teve este ar de garota, mas era um ano mais velha do que eu. Sentada na cama apenas abro suas pernas, lá estava a boceta peluda e delicada. Malditas feministas que acham que depilar a boceta é uma perversão machista que busca infantilizar as mulheres. Minha língua desliza e penetra sem vergonha nem pudor, logo sinto-a umedecer delicadamente entre meus lábios. Sinto ela plantar a mão em meus cabelos quando o Brahms que toca no Spotify se mistura aos seus gemidos.

– Você não vai transformar isso em um dos seus textos, vai? – ela puxa minha cabeça e olha nos meus olhos.

Eu apenas dou um sorriso e me entrego novamente para aquela linda e peluda boceta.

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