Textos

O dia em que fiz um Ménage com minha cunhada.

Schrödinger, o físico do gato meio vivo e meio morto, por anos vivia um relacionamento a três com sua esposa Annemarie Bertel e sua amante Hilde March. Talvez toda a física envolvida no ménage à tróis deixasse esbaforido aquele homem genial e suas mulheres. Provavelmente ele contava vantagem, aos seus amigos do campus, sobre comer suas bocetas ao mesmo tempo. O tal físico famoso deve ter sentido-se um grande imperador romano com sua diversãozinha pitoresca. Creio que o poderio masculino, pelo menos a sensação de poderio, de “controlar” duas mulheres no meio de um ato reconhecidamente depravado pela igreja católica, porém executado na surdina por aqueles que não querem manchar o bom nome social deliciando-se entre foder e lamber na mesma cama.

Eu tive a ideia genial de tornar-me noivo aos dezessete anos de idade. Uma ideia que foi muito criticada por ambas as famílias, todos diziam que eramos muito novos, que eramos muito ingênuos e etc. Arthur Rimbaud, o poeta, disse certa vez que ninguém aos dezessete anos deveria ser levado a sério, e estes familiares deveriam ter feito o mesmo. O pai de Cristina, a garota com quem eu estava na época, disse para mim, certa vez, em um canto afastado da casa, que eu só teria concordado com aquele noivado porque eu queria comer sua filha. De certa forma, ele não estaria errado, a não ser pelo pequeno fato que sua filha e eu já tínhamos fodido  incontáveis vezes. De todos os entes loucos daquela família suburbana desajustada, a única pessoa que nos apoiou foi Renata, a irmã mais nova de Cristina. Renata sempre fora muito simpática e solicita comigo. Assistíamos filmes juntos, nós três, e conversávamos sempre que podíamos. Ambas estudavam na mesma escola, porém eu já estava no último ano.

Eu sempre fui má influência para as garotas com quem me relacionei. Esta minha pequena fama havia se espalhado por todo o colégio, o garoto que escrevia poemas, falava com quase ninguém, fumava escondido no terraço e já participava de bebedeiras. Eu queria ser Jack London, eu queria ser Charles Bukowski, claro que sem nenhuma experiência e classe destes mestres. Eu queria ser o Ernest Hemingway, pelo menos o emular. Nenhum dos meus “colegas” de classe conheciam tais figuras. Vivi toda uma adolescência sem conseguir discutir como Kind of Blue era fantástico. Por minha causa Cristina também começou a fumar, sempre cigarros normais, eu achava os maconheiros uns babacas. Estávamos no terraço, matando aula, fumando Derbys assassinos. Ela no meu colo. Cristina era um anjo para o mundo. Uma santidade para os pais. Líder de sala, queria ser médica, um exemplo. Religiosa. Minha semente corrompedora acabou a balançando. Antes de começarmos a foder com seriedade ela havia se apaixonado pelo meu eu lírico.

– Cristina, queria participar de um ménage antes de casar – eu disse pensativo. Esta ideia me veio suave, talvez eu tivesse realmente pensando em outra coisa. Na época o dólar finalmente atingira o mesmo valor do real, eu também estava juntando uns trocados para trocar meu aparelho de som, precisava de um armário novo para meus discos… O pensamento simplesmente surgiu e saiu pela minha boca.

– Ménage? Você e outro cara me comendo? – antes que eu e Cristina tivéssemos algum tipo de relacionamento, ela não falava “foder” e sim “ter relações sexuais”. E achava tudo muito errado e tudo muito casto. Apesar que, um dia, bêbada, ela me disse ter pegado no pau de um menino na sétima série. Quando ela disse “outro cara me comendo” eu imaginei Sir William Hamilton, embaixador britânico em Nápoles, que dividia sua esposa com o almirante Lord Horatio Nelson. Ambos foderam a pobre Emma Hamilton, até quando a morte do almirante acabou com o triângulo amoroso.

– Eu prefiro você e mais alguma garota. Nunca fiz isso e não vou querer fazer depois de casarmos.

– João Felipe! – ela só me chamava pelos meus dois nomes quando estava puta comigo – você é um filho da puta mesmo! Quer comer uma outra garota e quer que eu dê o aval para isso?

– Cristina, quero que seja algo entre nós, a nossa última coisa errada! – minha argumentativa não foi válida. Ela chorou e saiu puta da vida. Ela sempre fazia isto, desta vez ela não chegou a me bater, mas sempre fazia isso. Voltei para o resto da aula e matei o que sobrava do dia.

Minha coleção de discos, um pouco da história da minha infância e da minha família estavam naqueles vinis, ainda tenho grande parte deles, mas o que se perderam nas inúmeras mudanças me fazem falta. Eu estava os limpando na mesma tarde da micro discussão com Cristina quando escuto alguém me chamar. Abri o pequeno portão e Renata já foi entrando sem ser convidada, isso era o tipo dela. Renata era um pouco mais morena que Cristina, talvez por ter puxado mais o lado do pai. As duas eram bem diferentes. Renata usava um cabelo comprido, bem lisos, enquanto os cabelos de Cristina cacheavam em seus ombros. Ambas de cabelos castanhos, ambas magrinhas com bundinha e peitinho bem em ordem para as suas idades. Eram garotas pequenas, uma escadinha praticamente.

– João, tá fazendo o que? – pergunta Renata de maneira tonta. Não interessava a ela o que eu estava fazendo.

– Limpando os meus discos.

– Cristina me falou o que você propôs a ela – senti um medo repentino, realmente Cristina e Renata eram muito confidentes, mas eu não sabia que chegava a este ponto. Agora eu teria que encarar uma futura cunhada que sabe sobre minhas perversões. Também me perguntei se ela sabia das vezes que tentamos anal – não me surpreendi desta proposta, achei até engraçada. Se você concordar eu posso ser a segunda mulher.

Minha boca se abriu em extrema surpresa e ela continuou:

– Posso convencer minha irmã disto, você sabe muito bem. O que me diz?

– Para mim tá tranquilo, fala com ela e me dá uma resposta. E vê se faz ela voltar a falar comigo.

Ela apenas sorriu tal qual o demônio e saiu.

De madrugada eu bati uma punheta pensando em como seria fazer um ménage com minha futura esposa e minha futura cunhada. Também me imaginando no inferno respondendo por isso com mil demônios comendo o meu cu. Maldita hora que comecei ler a Divina Comédia.

Dante Alighieri, seu filho da puta.

Por sorte era uma sexta-feira, e eu não iria pisar na casa de Cristina no final de semana, nem a pau eu iria lá, com Cristina puta da vida comigo e sua irmã planejando um circo. Apenas fiquei em casa esperando e evitando pensar. Na tarde de sábado o telefone interrompeu um dos solos de Coltrane. Era Cristina, ela me pedia desculpa pelo ocorrido, também pedia desculpa por ter me xingado. Conversamos por uns quinze minutos quando ela entrou no assunto, disse que Renata havia conversado com ela. Disse que se fosse fazer um ménage era melhor fazer com quem se confiava, disse que Renata se ofereceu, como um mártir, para satisfazer as experiências de sua irmã mais velha, disse que poderia ser no domingo de tarde, uma vez que seus pais iriam para o culto.

A única coisa que passou pela minha cabeça foi “Renata, sua puta safada”.

Pesquisei na internet sobre ménage e técnicas para fazer bem feito. Uma onda de insegurança me afetou, por diversas vezes tive vontade de ligar e desmarcar tudo. Nunca fui religioso, mas fazer um ménage com irmãs seria um caminho mais direto para alguma forma de inferno. Só dormi depois de muito tempo, muito tempo mesmo. Sonhei com isso, mas o sonho foi apagado assim que acordei. Já era o temido domingo, acordei as onze horas. Ainda hoje tenho saudade do tempo que era um vagabundo que acordava tarde.

O ambiente fora todo preparado. Iriamos fazer na cama de casal dos meus sogros, mais um ponto no meu marcador mental de pecado. Quando cheguei, vi que havia um nervosismo nos olhos de Cristina, como se ela também estivesse prestes a desistir da ideia, se ela tivesse me falado em desistir eu teria aceito sem cerimônia, porém creio que ela não verbalizou com medo que eu a reprimisse. Estávamos sentados na pequena áreazinha da frente, em cadeiras extremamente desconfortáveis de bambu. Renata aparece de toalha, apenas sua cabeça surge na porta dizendo:

– Tô pronta, vem logo!

Eu, Cristina e Renata ficamos olhando um para a cara do outro em silêncio, em minha cabeça aquilo tinha se tornado uma idiotice. Tomei as rédeas da situação e comecei a beijar Cristina como sempre fizera. Cristina usava um vestidinho simples de alcinha, muito fácil de se tirar. Seus peitos ficavam pontudos quando eu começava a beijá-la, era o primeiro estágio. Beijo Cristina cada vez mais forte, porém minha visão periférica enxerga Renata, deitada na cama, se masturbando e nos assistindo. Sempre preferi ficar com garotas que orbitavam a minha idade, as vezes mais velhas, as vezes mais novas, mas nunca tão mais velha nem tão mais nova. Renata era dois anos mais nova que eu, e quando eu estava na idade de Renata eu só ficava com garotas dois anos mais velhas do que eu, então a sua boceta foi a primeira boceta de uma garota de quinze anos que eu vi. Devidamente raspada para ocasião, o mesmo corte que Hitler usou em seu bigode. Será que aquele maluco imagina hoje que seu bigode nomeou um estilo de corte para bocetas?

O vestido de Cristina já estava pela metade, mostrando os seus belos e pontudos seios, quando Renata se levanta e puxa Cristina para cama, Renata começa a beijar a irmã como se tivesse feito tal coisa diversas vezes. Cristina se assustou com o ato da irmã, eu também me assustei com o ato de Renata. Meu pau nunca tinha ficado tão duro na minha vida. Renata deitou Cristina na cama e começou a beijá-la de uma maneira voraz tirando o resto do vestido. A boceta peludinha de Cristina era muito semelhante a boceta de Renata. “Seria genético?” tive um daqueles pensamentos estranhos de meio de foda. Renata estava de quatro sugando a boceta da própria irmã. Em minha contagem mental todos os sinais que me levariam para um eterno inferno doloroso estavam acesos. Eu conseguia ouvir a caneta do demônio circulando o meu nome em sua prancheta, eu fui o “incentivador” de uma relação incestuosa entre irmãs e agora eu irei meter meu pau na boceta da minha cunhada.

Dito e feito, enquanto comia minha própria cunhada eu ouvia Dante Alighieri rindo. Dante filho da puta.

A boceta da minha futura cunhada era muito parecida com a da minha futura noiva, tanto externa como internamente. Ambas eram muito apertadas, ambas gemiam semelhante. Certamente, uma das duas deva ter narrado esta mesma história para o seu psicanalista quando mais velhas. Cristina começou a gemer mais forte, sinais claros que estava prestes a gozar. Meu corpo entrou no automático, eu sempre tive que me controlar bastante para que o jato de esperma não estragasse a diversão, mas desta vez eu apenas sentia o prazer sem a preocupação, como se os anjos da ejaculação tivessem entendido a putaria que aquilo tinha se tornado.

Renata sentou em minha cara e eu comecei a chupar-la. Impressionante! Até o gosto era o mesmo. Cristina cavalgava em meu pau, cada vez mais forte, cada vez mais nervosamente. Cristina não era assim, e logo vi que havia raiva entre aquelas penetrações, havia um ódio dentre tanto aquele amor, havia algo de errado naquilo tudo e não era o que era óbvio e ululante. Cristina praticamente me espancava com a própria boceta, no meu âmago algo me sinalizava que algo estava errado.

Meu trabalho estava parcialmente feito, eu havia feito as duas gozarem. Estranhamente eu não consegui gozar com Cristina no meu colo, nem quando elas inverteram e eu comecei a comer Cristina de quatro enquanto ela lambia a própria irmã, nem quando ela me chupava enquanto sua irmã metia dois dedos dentro dela. Fiz Renata gozar mais uma vez, e depois, eu acabei gozando na boca de Renata. O esperma branco espalhado na tés da guria, pingando nos seios. Ela me olha tal qual o Gato de Botas do Shrek e sorri.

– Lambe aqui Cristina – ela diz para a irmã, e cordialmente Cristina lambe uns fiapos de gozo escorridos nos seios de Renata. Curiosamente só pude notar como Renata era mais magrinha e tinha menos corpo que Cristina depois de terminado. Ficamos quatro horas nesta brincadeira, quatro horas que foram como minutos. Nesta hora eu dei crédito a Relatividade de Einstein.

Porém, fatalmente eu abri a caixa de Schrödinger e matei o gato. Cristina mudara depois daquilo tudo. Me evitava no colégio e pediu expressamente para não aparecer em sua casa por algum tempo. Liguei para Renata e perguntei o que acontecera, ela também não sabia. Cristina tinha ficado estranha depois daquilo. E por vários dias isso seguiu. Depois de quase um mês sem ver Cristina, ela me chamou para encontrá-la num parque.

– Pode falar, foi sobre aquilo que fizemos? – eu tinha tomado coragem, finalmente tinha tomado coragem para perguntar. O olhar de Cristina estava perdido, ela estava com as roupas que usava antes de namorarmos. Um longo vestido e sem graça.

– Eu não tenho muito para falar com você, quero apenas te devolver isto – ela me dá a pequena aliança barata, simbolo do nosso conturbado noivado – não vamos poder mais nos casar. Também quero te dizer que voltei para a igreja e irei para a África, como missionária.

– Caralho Cristina, acho que você está sendo dramática demais! Ir para a África com aquelas maluquices do seu pai!? Se eu soubesse que você ficaria assim por causa do ménage eu não teria feito…

– Não foi por causa do ménage, não foi por causa da minha irmã ter me lambido e eu ter lambido a minha própria irmã, não foi nada disto! Mas você é um nojento imundo! VOCÊ FEZ MINHA IRMÃ GOZAR DUAS VEZES! DUAS VEZES! E eu gozei uma vez só!

– Mas, não foi culpa minha, realmente eu não tinha uma preferência!

– Você começou comendo minha irmã primeiro! E fez ela gozar primeiro! Como você acha que eu me senti com isso? Como você acha que vou viver com um homem que fez minha irmã gozar mais do que eu!? Como eu vou viver minha vida pensando que você comeu com todo o gosto do mundo minha própria irmã! João, eu vou embora, você nunca mais me verá! – Cristina esbravejava, cuspia, gritava. Eu imaginei que ela enfartaria, ou se jogaria em um ônibus. Não havia notado que ela segurava uma pequena bíblia sagrada rosa, uma espécie de “bíblia da mulher”.

– Você nunca encontrará outra mulher como eu! – Foram as últimas palavras de Cristina para mim. Ela deu as costas e se mandou.

Ainda trepei com Renata mais umas três ou quatro vezes, porém enjoei logo. Ela me falava sobre Cristina e a culpa me carregava nos ombros. O pai e a mãe delas acharam uma maravilha, eles diziam que Deus havia tocado no cerne de Cristina e que eu era uma péssima influência para a menina. Mal sabiam que suas filhinhas acabaram em uma amálgama bizarra comigo.

Não digo que eles estão errados.

Ainda me alimenta o pensamento que Renata planejou tudo isso para que Cristina acabasse comigo, talvez existisse de fato uma rivalidade estranha entre elas, mas, pensando bem, eu realmente quero que se foda.

Acendo um cigarro e a fumaça ziguezagueia no ar. Maldito Schrödinger, maldito Alighieri. Lembro-me do gato morto dentro da caixa. Lembro-me que preciso comprar mais uísque. Pego a aliança que guardei todo este tempo e a lanço da janela do meu apartamento, ela gira umas duas vezes no ar e some na escuridão do abismo da rua.

Anúncios

Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

1 comentário em “O dia em que fiz um Ménage com minha cunhada.

  1. Excelente! Parabéns pelo texto! Safadao perdeu as duas, mas como um bom canalha, deve ter vivido bem com isto! 🙂

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: