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A “Mentalidade de Esquerda” virou uma Religião

Antes de começar o texto, uma explicação se faz necessária sobre seu título: Eu não sabia exatamente qual palavra usar. “O Esquerdismo” me pareceu pejorativo. “A Esquerda” ficaria muito político, e com eu não estou falando dos políticos em si, mas do povo que os segue, escolhi usar “mentalidade”. Outra coisa é o termo “religião”. Não é necessariamente ruim a existência de uma religião ateísta, ou de um sistema de valores a serem seguidos que tenham sido criado pelos homens e não por um deus. Um exemplo do primeiro é o Satanismo, e do segundo, o Humanismo. A diferença é que os satanistas reconhecem sua crença como uma religião, enquanto os esquerdistas odeiam serem comparados a isso. Já eu consigo ver muitas semelhanças:

Maniqueísmo: “Relativismo” é novo nazismo para essas pessoas que apoiam a morte de deus que veio com a modernidade, mas não da religião. Ainda existe “o bem”, que são eles, aqueles que seguem a esquerda e são santos generosos que trabalham ajudando os pobres, e existe “o mal”, a direita, porcos capitalistas sem coração que só se importam em fazer dinheiro. Se alguém se diz de direita, aquela pessoa é automaticamente má. Se alguém critica a esquerda, é automaticamente fascista.

Messianismo: Mas existe algo que vai mais além do maniqueísmo, e que também está presente nas outras religiões. Você poderia pensar que pessoas tão generosas a ponto de estarem dispostas a ajudar os necessitados seriam humildes. Mas não é isso que acontece.

A língua inglesa tem um termo para isso que é “holier-than-thou”, que por falta de tradução melhor no momento, resolvi chamar de “messianismo”. Sabe, eu já vi alguns psicólogos sociais dizendo que psicólogos clínicos são elitistas por que ficam fechados em suas clínicas ao invés de trabalhar com políticas públicas. Que “o objetivo da faculdade não é formar psicólogos clínicos, e sim atender às demandas do país”, e que “tudo o que os clínicos fazem é ‘apertar os parafusos’ do paciente e então jogá-lo de volta em uma sociedade doente”. Eu me pergunto o que os pacientes ricos que pagam 400 reais à sessão pra tratar a esquizofrenia, a depressão e a síndrome do pânico pensariam desses comentários.

Esses profissionais parecem se achar como um tipo de “povo escolhido”. Não por deus, é claro, por que como eu disse, ele está morto. Talvez escolhido por Marx para liderar o proletariado à revolução. Claro que esse papo de revolução está mais para “quando Jesus voltar”, mas como eu disse, eles não gostam desse tipo de comparação.

Pregação: Os Testemunhas de Jeová tem sido muito zoados nos últimos tempos pelo hábito irritante que eles têm de pregar de porta em porta no domingo de manhã. Imagine minha surpresa quando descobri que algumas pessoas com essa mentalidade (de esquerda) entram em discussões acirradas, policiando o comportamento de pessoas em locais públicos, como metrôs, feiras ou praças.

Se alguém faz algum comentário considerado “fascista” por qualquer uma dessas pessoas que esteja passando e ouça, é como se aquela pessoa houvesse blasfemado contra deus (ou contra Marx), e eu já vi membros desse povo escolhido dizendo que sentiram vontade de agredir fisicamente alguém que falou mal do messias deles. Talvez alguns deles possam ser melhor comparados à muçulmanos do que cristãos, com aquela coisa de ser pecado retratar Maomé e tal.

Enfim, talvez isso seja uma etapa de um progresso natural de qualquer ideologia… Talvez o mesmo possa ser dito da direita, mas eu não tive muito contato com o povo de direita para fazer esse tipo de crítica. E acho melhor eu parar de escrever antes que eu escreva algo que faça os esquerdistas me odiarem ainda mais. Afinal, esse ainda é o Brasil, a terra onde o presidente do Conselho de Psicologia tira selfie com o ditador venezuelano*. Até mais.

 

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Conatus: Substantivo. Latim para esforço; impulso, inclinação, tendência; cometimento. É um termo usado em filosofias de psicologia e metafísica para se referir a uma inclinação inata de uma coisa para continuar a existir e se aprimorar. Outros autores a chamaram de Vontade, Desejo, Pulsão, Elan Vital, a essência inconsciente que dirige suas ações para satisfazê-la quer você queira ou não. David Conatus, no entanto, não é um substantivo. É um verbo, uma ação, a ação de exorcizar em palavras minha visão da existência e do mundo, e de talvez conseguir um pouco de paz ao fazer isso. Já quanto a paz de vocês, leitores, isso eu não posso garantir. Prossigam por sua conta e risco.

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