Eu já quase morri algumas vezes. As vezes eu pensei que iria morrer, outras eu queria me matar, e umas eu não queria morrer, porém quase aconteceu. Eu vejo as mortes em filmes, as heroicas mortes dos heróis para salvarem o dia. Lembro-me do piloto que joga seu avião contra a nave dos alienígenas de Independece Day, uma morte heroica, brava, histórica. No livro Mulheres, Charles Bukowski diz que gostaria de morrer aos oitenta anos. Ele quase conseguiu chegar lá, morreu as setenta e cinco. Aos sessenta ele não sabia que ainda tinha quinze anos de vida. Eu nasci em 1990, ele ainda estava vivo, porém não por muito tempo.

As vezes me pego calculando qual será minha idade em determinada data. Eu ainda estarei vivo nos próximos anos 60, se algo não ceifar minha vida antes, eu poderei viver os anos 60 que nunca vivi, pelo menos me gabar disto. Todos os atores que gostamos hoje e já passam dos 40 anos de idade estarão mortos, isso inclui o Jonny Deep, o Robert Downey Jr (se escrevi errado o nome dele, problema, não vou pesquisar) o Will Smith, entre tantos outros. Viveremos num mundo testemunhando a morte de nossos atores e atrizes favoritos, dos nossos escritores, dos nossos músicos e dos nossos amigos e familiares. Pense que nos próximos anos 60 nada disto que estamos vivendo hoje vai existir. As crianças atuais irão crescer e se tornar saudosistas de Youtubers e das séries que viram na Netflix, da mesma maneira que temos saudade da TV Colosso e dos Animes da Manchete.

Nossos avós viveram algo semelhante, e viveremos também, no fim de tudo estaremos sós em um mundo que não conhecemos, um universo que não nos pertencerá. Não imagino como a medicina estará até lá, se a expectativa de vida humana chegará além dos 100 anos (dificilmente no Brasil), como será a tecnologia, como será a literatura, o cinema, a música entre outros. Artistas que amamos e já morreram antes mesmo que tenhamos nascido completaram seus centenários, serão músicos de 100 anos. Outros até mais. Claro que eu coloco a hipótese que ainda existam tais coisas e tudo não foi derretido em uma grande explosão nuclear.

A solidão de nossos últimos dias é certa. E iremos aproveitá-la tanto quanto outros. Será um prazer ser velho, será um prazer viver até os 80 anos, será um prazer reclamar da próxima juventude perdida para alguma coisa que ainda será inventada. Será um prazer lembrar como era bom ficar até o fim de um filme da Marvel para ver as cenas pós crédito, ou esperar ansiosamente o próximo Star Wars, e dizer como Os Últimos Jedi fora decepcionante. Todos que gostamos hoje e são vinte anos mais velhos que nós já estarão mortos, e seremos os guardiões dos dias de hoje, tempos que podem parecer uma droga, mas lembraremos com muita saudade num futuro distante.

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