Eu estava com Rebeca, víamos o mar. Roberto e as outras garotas tinham partido. Roberto segurou toda a conta do Motel, o consumo, tudo. Um verdadeiro Anjo Pornográfico. Rebeca conversava sobre coisas agradáveis, falamos sobre poesia, sobre filmes antigos, sobre música. Seu gosto musical era muito apurado. Ela dissera que tinha alguma prática com violoncelo e eu achei isso incrível. Ela desejava ter tocado em alguma orquestra, porém não tinha dinheiro para comprar o instrumento. Ela começou filosofia, não gostou e pulou para psicologia. Estava se adequando muito bem para um curso tão confuso. Tínhamos saído um pouco depois das sete daquele motel, a praia ficava uns dois quarteirões do lugar. Eu não queria voltar para casa e ela muito menos. Decidimos então passar a manhã nublada do domingo de carnaval vendo o mar. Ela me disse que nunca tinha feito algo parecido como aquilo que fizemos, também disse que esta seria uma história que contaria para seus netos. Eu dei risada, Rebeca realmente tinha um ar diferenciado para as garotas de sua idade. A mexa rosa fora uma maneira criativa para que os homens nunca se esquecessem dela.

– Realmente, muitos caras devem se lembrar de você – Eu disse, enterrando uma latinha vazia de cerveja na areia.

– João, você não faz o tipo ciumento, não é? – eu realmente não fazia. Tudo bem que nunca gostei de competição enquanto tentava seduzir, porém em toda minha história de vida, nunca fiz cena de ciumes. Acho tal coisa ridícula.

– Não me considero ciumento. Não gosto de pensar nas minhas garotas beijando outros caras. Eu acho que o beijo é uma das coisas mais íntimas que existem, mais íntimo que até o próprio sexo. Mas não sou dono de ninguém e nunca serei.

– E eu sou sua garota agora? – ela disse entre um sorriso sarcástico.

– Você é igualzinha a mim, não somos de ninguém – eu a puxei e comecei a beijá-la. Suas costas entraram em contato com a areia. Ela vestia uma camisa simples e genérica e um short jeans. Seus cabelos não eram tao cumpridos, uma pequena mexa rosa escorria-lhe pelo rosto. Meus beijos eram fortes e pesados, ela os respondia muito bem, fiquei de pau duro e ela sentiu isto. Sua mãozinha agarrou meu pau, por cima de minha calça. E puxou-me mais ainda para cima dela.

– Vem para minha casa, eu chamo um Uber – Rebeca disse.

Rebeca morava em um bairro de periferia. Aqueles que saem nos noticiários por causa de uma ou outra chacina. O motorista do Uber nos deixou uns dois quarteirões de sua casa, segundo ele quem passava da “fronteira” não voltava mais. A periferia estava em festa, carros tocando Funk em níveis incrivelmente altos. Bebidas ao rodo, mulheres bundudas batendo o rabo no chão. Homens raquíticos com suas correntes grossas de prata circundando os ínfimos pescoços. Rapazes grudados em suas motos indo do ponto A ou ponto B. Crianças em meio a nuvens de fumaça, maconha, coca, cachaça. O vizinho da frente de Rebeca estava brigando com sua esposa, entre um insulto e outro o barulho de pancada e a mulher caindo pela porta da frente, no asfalto

– Ignora, toda semana é assim – disse Rebeca subindo um pequeno batente – Mãe, ta aí? Trouxe um amigo da faculdade.

Eu me senti broxar quando ouvi a palavra “mãe”.

– Fiquei preocupada a noite toda menina! – dizia a Mãe de Rebeca, dona Valdevina, uma senhora de sessenta anos, gordinha e baixinha. Cabelos bem curtos. Ao redor dos seus olhos manchas negras, como marcas ou sinais. Sua pele morena brilhosa, anos de trabalho duro para que Rebeca e seus dois irmãos fossem pessoas de bem. Depois, pelo que Rebeca me contou, seu irmão Rodson se perdera para o tráfico e o outro, Francisco, virara pastor – odeio quando você não me avisa que vai precisar passar a noite fora.

– Prazer, João Felipe – eu disse simpaticamente para dona Valdevina. A mulher apenas e encarou, rosnou alguma coisa e tornou a cozinha.

– Minha mãe não gosta quando eu trago homem para casa.

Agora que os irmãos de Rebeca não moravam mais lá, a garota tinha o quarto só para ela e finalmente o decorara como sempre quis. Posteres de bandas e artistas famosos, uma pequena escrivaninha com um notebook de marca suspeita. Várias pelúcias, uma estante com alguns livros e Cds. Fiquei observando os livros, descobri em sua coleção Dostoiévski, Kafka, Machado de Assis e Allen Ginsberg. Ela também possuía a coleção completa do Cronicas de Gelo e Fogo.

– Simpático o seu quarto. Ele fala muito sobre você.

– Ele é o meu único refúgio. Meus irmãos, apesar de não morarem aqui, vivem perturbando minha mãe por dinheiro. Ela ganha a pensão do meu pai, ele foi morto naquelas rebeliões de 2007. Daí o estado paga uma quantia para a mãe, que meu irmão mais novo pega para pagar dívida de droga e meu irmão mais velho pega para dizer que é uma ajuda a cristo. Aqui em casa Deus e o Diabo brigam constantemente pelo dinheiro da Dona Valdevina.

– Ela não se importa que você fique com homens em seu quarto?

– Minha mãe proibia Francisco de sair, proibia Francisco de ter amigos, proibia Francisco de tudo. Quando ele pode escapar, ele assaltou uma loja com uns conhecidos e foi preso. Ele não ia ficar nem dois anos, mas demorou uns cinco para ele ser julgado. Nisto ele acabou se convertendo para a igreja evangélica, e agora é pastor. Fez curso de hipnose e tudo, com minha mãe pagando claro. Dai eu nasci, e um ano depois nasceu Rodson. Eu fui criada cheio de mimos, até Rodson começar a dar trabalho, ele sempre deu trabalho desde bebê. Dai minha mãe abriu mão de mim enquanto tentava concertar o Rodson, ai o Francisco foi preso e ela perdeu todo o controle. Dai meu pai também foi preso. Ele trabalhava com uma oficina e descobriram que ele fazia parte de um esquema de desmanche. Ela decidiu abrir mão de vez. Não se importa se eu venho aqui com homem, mulher, droga. Não se importa com o que o Rodson está fazendo ou se o Francisco engana os outros. A única coisa que ela não quer é que ela tenha que nos enterrar.

– Sua mãe desistiu, jogou os pontos e agora está vivendo esperando a morte, só isso

– Exatamente – Rebeca parecia emocionada, até triste. Eu estava sentado na cama e ela começou a se despir, isso me surpreendeu. Acreditei que ainda conversaríamos um pouco mais. Eu gostava do jeito que Rebeca mantinha a conversa, serena, tranquila. Ela falava de sua família desestruturada como se dissesse a sinopse do filme que virá no dia anterior.

Ela estava só de calcinha. Seus seios pontudos eram deliciosos. Eu comecei a beijá-la, levei-a até a cama. Beijando profundamente seus lábios carnudos. Ela se agarrava a mim, cruzando seus braços em minha costas e suas pernas se prendendo em minha cintura. Suas unhas me arranhavam e isso me deixa louco de tesão. Tiro sua calcinha minuscula, cor azul anil, com minha boca e começo a brincar com sua boceta. Ela se abre para mim como uma flor. Tiro minha calça e cueca ainda trabalhando a língua naquela flor feminina maravilhosa. Ela geme, geme, geme, geme. Cubro sua intimidade com um beijo profundo e quente. O gosto de sua xota se liquefazia em meus lábios. Ela e pegou pelos cabelos e puxou mais para dentro de si, em posição ginecológica seus gemidos eram abafados. Tanto eu quanto ela conseguíamos ouvir o barulho de sua mãe na cozinha. Ela goza mordendo o travesseiro. O líquido escorre até o colchão, manchando-o. Seguro os seus pulsos, a mexa rosa gruda no suor de seu rosto. Começo a fodê-la delicadamente e vou aumentando a força. Cada vez mais forte, cada vez mais forte, cada vez mais forte. Beijo-a na boca, beijo seus seios. Meu pau devasta cada vez mais aquela boceta, cada vez mais profundo. Aumento a violência das estocadas, novamente suas pernas se enroscam em minha cintura. Quando sinto que vou gozar eu paro por uns instantes, e deito na cama. Ela monta em mim e começa a cavalgar de costas. Eu vejo sua bunda subindo e descendo, subindo e descendo, subindo e descendo. Sua bunda maravilhosa, não era tão grande, porém muito bem feita. Ela torna a ficar de frente comigo e, ainda por cima, rebolando gostoso no meu pau.

Ela dá uma parada súbita. Ainda comigo encaixado nela. Ela se inclina para mim e me abraça. Começa a chorar.

– Muitas vezes eu fiz isso aqui sem sentir amor, sem sentir prazer. Eu fiz porque se não fizesse meu irmão seria morto, a casa ficaria sem luz, eu não teria dinheiro para pagar um livro que eu precisasse.

– Eu entendo você, não se preocupe. Não vou te jugar.

– Você é um amor João. Sério mesmo. Eu me casaria com você se eu pudesse.

– E porque não pode?

– Não posso. As coisas são mais complicadas deste lado do muro, sempre.

Ela encaixada comigo, naquele começo de tarde. Sua boceta quente no meu pau e ela agarrada a mim com os olhos cheios de lágrima. Não sei o que eu tinha dito ou feito, eu apenas respeitei o seu estado, o seu jeito, eu apenas a fiz rir, e bebi com ela. A mexa rosa não será esquecida por mim, uma vez que ela é a protagonista deste escrito, e enquanto estávamos lá minha cabeça, a de cima, fervilhava em milhares de pessoas que passam por aquela mesma situação de merda. Rebeca não poderia ser comparada com uma vítima nem se podia ter pena dela, Rebeca não queria este sentimento. Seu único desejo era ser alguém melhor na próxima década e enterrar sua mãe em um lugar decente.

Retomamos o sexo, deitei-a na cama e comecei a foder, aumentando a intensidade, ela gozou e eu gozei logo em seguida, melando a entrada de sua boceta e sua virilha de esperma. Não era muito, a noite passada havia me esgotado o estoque. Ficamos deitados descansando naquele quarto infernalmente quente. Rebeca dormia muito leve, porém eu agarrado com ela trazia alguma paz para seu espírito.

Gritos nos despertaram. Rebeca vestiu-se rapidamente, eu demorei ainda um pouco para me reencontrar, ainda com as calças arriadas uma saraivada de balas estourou na rua, uns seis tiros sequenciais. Me joguei no chão quase que instintivamente. A cena era ridícula, eu deitado no chão com as mãos na cabeça e a bunda de fora. Pouco tempo depois ouvi choros e gritos de horror, subi minha calça e corri para a porta de entrada. Rebeca estava sentada no chão com o rosto deformado pelo horror, lágrimas escorriam-lhe pelas bochechas. Dona Valdevina urrava como um urso em desespero, em seus braços Rodson agonizava, ensanguentado. Seis tiros nas costas.

 

Capítulo 1 – https://desacocheioemauhumor.blog/2018/02/10/a-carneia-parte-1-suruba-primordial/

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Sobre Rhuan Rousseau

Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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