– Quero uma cerveja.
Essa foi a primeira coisa que falei aquela noite e, por incrível que pareça também a última.

Se alguém me disse-se;

– A cada gole você está um passo de não ser você.

Eu, sem dúvidas nenhuma responderia;

– Então me de doses infinitas, por favor!

Enquanto esse diálogo se passava em minha cabeça, luzes coloridas iam enchendo aquela pista cheia de vazios. Observei as pessoas que estavam ali, cada qual com seu copo, e cada dose mais perto de não serem quem não queriam ser; elas mesmas!

Como uma metamorfose de kafka, cada um ali descobriria no dia seguinte ao acordar que teria se transformado, mas diferente do texto do kafka, quando abrissem os olhos ainda deitados em suas camas, com à cabeça ainda pesada e doendo da ressaca por conta do excesso de álcool da noite anterior, perceberiam que o que fora transformado ali eram suas expectativas sobre si mesmas, a maioria até se questionariam; o que estou fazendo da minha vida? mas o máximo que fariam logo em seguida, seria tomar um engov para melhorarem um pouco mais da ressaca.

Pelo menos uma lição aprendi essa noite; somos a geração do vazio.

Mas já ia me esquecendo.

– Quero uma cerveja.

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