– Ao Thiago e toda equipe do “De saco cheio e mau humor” que dera ouvidos a este louco que vos fala durante um ano inteiro.

 

Levantai-vos os copos!

Aos velhos poetas mortos.
Aos novos poetas moribundos.
Aos não nascidos poetas abortados.

Levantai-vos os copos!

Não haverá veneno que derrube.
Não haverá meias palavras
nem madrugadas tortas.
Não destilará,  entorpecerá.
Os momentos íntimos
dos últimos momentos
da vida.

Levantai-vos os copos!

As fatigas descascadas.
As putas tristes descaradas.
As rimas em infinitivo.
Os impuros adjetivos.
Aos nomes esquecidos da história.
Aos soldados mortos e sua glória.
Não descende do velho safado.
Nem das meninas pudicas.
Mas o negrume do homem está contido
nos matemáticos versos do mundo.

Levantai-vos os copos!

Há um ano minha primeira lamúria.
Há um ano minha primeira linha torta.
Há um ano e tantas outras coisas.
O poeta solitário em sua mesa de carvalho
O poeta solitário em suas memórias de velho
O poeta atrás da porta, anjo pornográfico
que tudo vê, tudo sabe mas decide não contar.

Levantai-vos os copos!
Bebei até a última gota.
Regojizai.
Basta uma dose do sofrimento eterno
para se tornar o escriba do inferno.

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