Textos

O poema que deveria ter morrido.

Ela apagava o cigarro no braço
porque queria sentir dor.
Eles eram todos marcados
com queimaduras e cortes.
Queria morrer, mas não morria
porque se os cristãos estivessem certos
ela iria para o inferno, e teria que ver o seu
padrasto, e ela seria abusada por toda a
eternidade.

Por isso que ela não consegua manter os
homens fixos em sua vida, por isso que ela
desejava sentir um prazer visceral que ela
não conhecia.
Quando eu a conheci, estava bêbada, dando
risada, dizendo que aquele mundo iria queimar.
Ela disse que escrevia poemas, mas os destruia
porque não queria deixar nada para a posterioridade
e não sabia usar a regra da crase tão bem.

Ela quebrou uma garrafa e cortou o braço, o
rubro sangue desceu pelo pálido pedaço de carne
e manchou a suja camiseta.
E trepamos naquela noite, com braço cortado e tudo.
Ela disse que queria abortar um filho meu.
Ela disse que queria doar os seus órgãos para as crianças
famintas na África.
Ela disse que iria algum dia iria se prostituir para comprar
aquele hambúrguer tão famoso daquela hamburgueria.

Ela já havia bebido o esperma de diversos homens, dizia
que era a verdadeira “água benta”.
Depois que foi internada numa clínica, por causa de sua
primeira overdose, ela piorou e piorou e piorou. Se tornou
o “cu do mundo” – uma definição dela mesma – e decidiu que
iria destruir-se pedaço por pedaço, iria mostrar para si mesma
o que era queimar uma bruxa.

– Você me faz lembrar minhas trepadas na quarta série – ela disse, entre um cigarro e outro.

Dai, ela sumiu. Não sei se morreu.
Nem sua mãe sabe seu paradeiro, mas disse que eu fiz muito bem a ela.
Não sabe se ela esta bem, se ela esta mal. Não sabe se sobrevivera à própria loucura.
Nunca mais tive notícias.
Mas eu consegui traí-la, salvei um poema, um único que ela escrevera e pedira para
que eu o destruísse, porém eu o guardei aqui, dentro de um dos meus livros do Dostoievisk. Salvei sua alma para a posterioridade.
Te eternizarei a força.
Para um dia você voltar e
se vingar.

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Tenho uma lista de filmes para assistir e um tanto quanto de livros para ler. O tempo é tão escasso nestes anos tão estranhos. Escrevo buscando entender este mundo, tal qual um escritor de um manual de instruções. Pretendo um dia ter uma casa com uma janela para um cemitério. Uma boa maneira de pensar na vida e no futuro indubitável de cada um. Agora buscando uma resposta para o futuro em antigas mitologias perdidas. Também querendo ganhar um dinheiro extra, sou um ser humano como todos os outros, e ter uma independência mesmo que pequena, comprar quadrinhos entre tantas outras coisas. Espero que gostem dos meus textos loucos e das minhas estranhas visões do mundo. Blog pessoal: http://omiopepsicopata.blogspot.com.br/ Twitter - @rhuanroussseau

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