Escrevo-te essa carta

Para falar-te de meus sentimentos

Dos dias de lembranças

e das noites sem alento.

 

Nesse papel amarrotado,

Revelo-te meu coração

Que assim como esse papel

Parece uma página do Alcorão.

 

Com escrita indizível

Em letra organizada

Tingindo um papel fino

sem licença, sem risadas

 

Nessa carta de que não lerás

falo de um sentimento sublime

Do amor que nunca cessa

Flameja … me define.

 

Escrevo-te, porque preciso falar

Para não insandecer

Para me aquietar

Para sentir você.

 

Preciso sim, desengasgar

Para sentir o ar voltar a circular

Nas minhas entranhas,

entrar e sair…

 

E nesse movimento

Sentir que, assim como o ar.

Em mim, você vai entrar

Mas também vai sair.

 

Aparecer na minha memória

e como um sopro do Eterno

quando me lembrar que já existo

Vai embora, livre, sem história.

 

Me deixando aqui.

A escrever-te versos

que sei, que não lerás,

mas que acalmam

o meu respirar.